Pensamentos intrusivos, repetitivos, persistentes:
conseguirei eu alguma vez parar todos estes “meus” pensamentos?
Com frequência aparecem pessoas na consulta a procurar apoio psicológico com esta finalidade: aprenderem a dominar os pensamentos, ou mesmo eliminá-los, bloqueá-los, proibir a existência deles. O Tomás é uma dessas pessoas: 29 anos, executivo com elevadas responsabilidades, com pensamentos intrusivos com teor predominantemente catastrófico e que, por vezes, o levam a ter comportamentos repetidos (abrir e fechar uma janela várias vezes seguidas), associados a um pensamento mágico (se não abro e fecho a janela várias vezes algo de mau vai acontecer comigo). Estes comportamentos (compulsões) acabam, na maior parte das vezes, por acalmar o Tomás.
PÁGINA DE PERFIL DO DR. GONÇALO DUQUE PLAZA
Coloquei, no início do texto, a palavra meus entre aspas com um propósito de destaque: na realidade, os pensamentos não são meus. Não só os pensamentos não são nossos, como não traduzem verdades absolutas, sendo o cérebro um mecanismo de passagem (transitória) destes pensamentos. E, se não são meus, então o que é que se faz com isto?
Quanto mais queremos estar em controlo dos pensamentos (decidindo que não queremos que os pensamentos A e B passem pela nossa mente), mais eles circulam na nossa mente porque estamos, precisamente, a alimentar uma ideia sobre aqueles pensamentos (estamos a elaborar – a pensar – sobre aquele pensamento que desejamos eliminar; estamos a dar-lhe combustível, em vez de lhe retirar o oxigénio). Vou-lhe pedir que faça uma experiência muito simples: ficando com os olhos fechados por uns segundos, peço-lhe que não pense num elefante amarelo. Conseguiu não pensar num elefante amarelo? Conseguiu impedir que surgisse na sua mente a imagem de um elefante amarelo? Provavelmente não conseguiu evitar. Quanto mais pensamos “não posso pensar nisto…”, mais presente aquele tema vai estar na minha mente.
Chegados aqui, e em jeito de síntese, peço-lhe especial atenção para o seguinte:
- Devemos aprender a separar a pessoa que somos dos pensamentos que nos ocorrem;
- Os pensamentos são coisas transitórias e impermanentes;
- Os pensamentos intrusivos ocorrem a um nível algo inconsciente, logo, nem sempre a lógica consciente consegue compreender e resolver;
- No caso de se verificar a existência de compulsões associadas aos ditos pensamentos intrusivos, estas são um sintoma da ansiedade, não são o problema;
- É a combinação de pensamentos, emoções e comportamentos que leva à criação de hábitos e crenças (sobre nós próprios e sobre o mundo que nos rodeia) tidas como verdadeiras mas, frequentemente, erróneas, que têm o potencial de nos deixar profundamente angustiados;
- Lembrando que o cérebro é apenas um mecanismo de passagem dos pensamentos, estes podem ser observados e, após essa observação, decidirmos sobre a importância que lhes damos;
- Devemos tentar ganhar consciência quanto às causas da ansiedade: é aqui que devemos fazer incidir uma grande parte do nosso esforço, isto é, atacar a raiz do problema (são os problemas de vida que estão na origem da ansiedade; os pensamentos repetitivos e os comportamentos compulsivos são manifestações dessa ansiedade).
Em paralelo devemos fazer um esforço por aumentar a frequência de atividades que acalmem a mente e o corpo, isto é, que abrandem o ritmo dos pensamentos.
Meditação, exercícios de respiração profunda, de relaxamento muscular e de visualização guiada são formas expeditas de abrandar a mente, isto é, de reduzir o fluxo de pensamentos que nos passam pela frente, levando a um foco maior no presente, a uma sensação de libertação de peso emocional e a uma maior clareza mental.
Poderá estar a perguntar-se se haverá forma de treinarmos a nossa mente, de a “disciplinar”. Em certa medida a resposta será afirmativa: se aceitarmos as emoções e escutarmos as mensagens que elas nos transmitem; se alimentarmos um diálogo interno mais racional que nos permite distanciar dos pensamentos e compreender a sua transitoriedade; se experimentarmos comportamentos diferentes, mantendo a abertura suficiente para aceitar que o resultado pode vir a ser diferente daquele (catastrófico) que era, geralmente, mais temido; então, sim, estamos a contribuir para a disciplina da nossa mente.
Não espere pela motivação certa para procurar apoio psicológico. A motivação é uma emoção e, se as suas emoções estão desequilibradas, é por isso mesmo que deve procurar ajuda.
Obrigado pela sua atenção.
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