O medo da rejeição é uma dor emocional que, não sendo visível aos olhos, precisa de ser reconhecida e tratada, tal como a dor de uma ferida física.
Segundo o Dicionário de Psicologia, o medo é uma emoção desencadeada por um estímulo que representa perigo para o organismo, e a rejeição é uma reação negativa de indiferença, afastamento ou hostilidade de uma pessoa para com outra, com quem supostamente deveria estar a desenvolver relações positivas.
Assim, a pessoa que tem medo da rejeição sente-se em permanente risco de deixar de ser amada ou aceite pelas pessoas próximas, ou até de ser excluída de um grupo.
https://youtube.com/shorts/iiQ7vs3Q3s0
Este medo da rejeição ou da exclusão pode ter diferentes causas. Pode resultar, por exemplo, do afastamento de um ou de ambos os progenitores durante a infância, ou de experiências de bullying. Pode ainda ter tido início na infância e sido reforçado na adolescência por eventos novos e diferentes. Mesmo sem um evento específico, o medo pode desenvolver-se durante a primeira infância, quando os pais ou cuidadores começam a introduzir o conceito do certo e do errado de forma impositiva e inegociável, rejeitando constantemente a naturalidade e a espontaneidade da criança.
A ferida da rejeição manifesta-se como uma dificuldade acentuada em iniciar ou manter relações pessoais ao longo do tempo, pois a pessoa não consegue confiar nem expor-se aos outros. O medo de vir a ser rejeitada ou excluída faz com que invista pouco nas relações, seja pouco natural na sua expressividade e se mantenha em estado de alerta quase contínuo, apresentando comportamentos de impulsividade, dependência ou evitação para não voltar a sentir-se excluída. Em contrapartida, pode também passar a fazer, cuidar e dar tudo, colocando-se sempre em último lugar em relação às pessoas que a rodeiam.
Como consequência, é a própria pessoa que evita confiar, entregar-se e construir relações mais duradouras ou profundas, para não dar aos outros o tempo ou o poder de serem eles a terminar a relação.
As pessoas que sentem o medo da rejeição são muto desconfiadas e, ao mínimo sinal de desconforto, reagem impulsivamente, chegando, por vezes, à agressividade. Se sentirem uma forte ameaça de rejeição, podem terminar a relação — seja ela amorosa, familiar, de amizade ou laboral — sem se aperceberem de que são elas próprias que não estão a investir na relação nem a comprometer-se com a mesma, limitando assim as suas vidas sociais.
Para tratar esta ferida e superar o medo da rejeição ou da exclusão, é necessário observar e analisar os seus comportamentos para perceber até que ponto não está a afastar os outros ou a desistir das situações perante as primeiras contrariedades.
Procure aceitar e compreender que essa é apenas uma forma de sobrevivência social, resultado de uma dor emocional. Cultive a autocompaixão, evite o autojulgamento implacável e seja acolhedor com a sua própria dor, tal como gostaria que fossem consigo, tratando-se com o respeito, a bondade e a compreensão com que gostaria de ser tratado.
Depois desta tomada de consciência, pode então começar a mudar atitudes como:
- Observar a qualidade da sua vida social, amorosa ou profissional e perceber que tipo de vida gostaria de ter.
- Refletir sobre de que forma as suas crenças e comportamentos contribuíram para a realidade atual, sem se culpabilizar.
- Perceber até onde vai a sua responsabilidade e o seu poder de escolha nesse processo de mudança que pretende iniciar.
- Iniciar um trabalho de autoconhecimento e ressignificação que o conduza a relações interpessoais mais saudáveis.
- Partir do pressuposto de que as atitudes dos outros nem sempre estão relacionadas diretamente consigo. Às vezes são “apenas” questões deles.
- Compreender que uma opinião é apenas uma opinião, seja sua ou de outra pessoa, e expressá-la exatamente como tal.
- Observar as suas particularidades e fazer uma lista das suas características positivas e negativas, com o objetivo de se perceber como um todo, pois tanto umas como outras podem ser ajustadas e, na maioria das vezes, até se complementam.
- Fazer uma lista de tarefas, experiências e desejos que gostaria de concretizar a curto, médio e longo prazo, e começar a realizá-los um por um. Isto vai ajudar a reforçar a confiança na sua capacidade de execução.
- A cada “não” ouvido, analisar ou perguntar o que faltou para o “sim” e, se fizer sentido, procurar ajustar e continuar em busca desse “sim”.
- Agradecer sempre cada “não” recebido, pois ele dá-lhe a oportunidade de reajustar até conseguir o ”sim”.
- Sempre que possível, procurar ajuda e opiniões de pessoas com experiências diferentes, para obter perspetivas diferentes.
- Trabalhar as suas inseguranças e desafiar-se a fazer coisas novas ou diferentes.
- Lembrar-se de que desistir é, quase sempre, o caminho mais fácil. Seja resiliente e perseverante.
- Fazer sempre o seu melhor — isso é o bastante. Lembre-se sempre de que Feito é melhor do que perfeito, até porque a perfeição, em si, não existe
- Substituir o diálogo interno negativo por frases como: “Eu consigo!” ou “Eu confio na minha capacidade de execução”.
- Praticar atividades físicas e meditação para ajudar a controlar a ansiedade que o medo costuma gerar.
- Preservar as boas amizades e criar novas
- E, por fim, se sentir que está a ser difícil, procure ajuda profissional. Marque uma consulta e permita-se ser o melhor de si!
Psicóloga Clínica
Estou disponível para agendamentos na clinicas:
Clínica de Psicologia e Coaching Learn2be de Mafra
Clínica de Psicologia e Coaching Learn2be de Massamá

