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Ensinar felicidade: é possível?

Ensinar felicidade: é possível?

É possível ensinar uma criança a ser feliz?

Esta é uma das perguntas mais frequentes em contexto clínico. A resposta é controversa e não é de todo objetiva e única. A meu ver, a felicidade não se ensina. Por isso, quando os pais chegam à consulta com a ideia de que ensinar felicidade ao filho significa garantir que a criança está sempre bem, sem tristeza ou frustração é necessário questionar e explorar esta crença.

O que significa, afinal, ser uma criança feliz?

Ser uma criança feliz não é viver num estado permanente de felicidade e alegria. As crianças, tal como os adultos, experienciam uma grande diversidade de emoções ao longo do dia. A felicidade não corresponde à ausência de emoções difíceis, mas à capacidade de as reconhecer, expressar e regular com o apoio de um adulto em quem confiam. O psicólogo deve ajudar a construir recursos internos para lidar com as diferentes experiências emocionais ao longo da vida.

Nestes casos, devemos trabalhar com todos os contextos que a criança frequenta e que modelam a sua personalidade, sendo os mais comuns a família e a escola. O ponto-chave para um trabalho de sucesso com a população infantil/ adolescente passa pela cooperação dos pais neste processo, muitas vezes através da Consulta de Aconselhamento Parental.

Ou seja, o psicólogo pode e deve trabalhar duas valências em simultâneo – trabalho individual com a criança/adolescente (Consulta de Psicologia Infantil/Adolescente), e sugerir aos pais uma Consulta de Aconselhamento Parental. 

Qual é o papel da consulta de aconselhamento parental?

A Consulta de Aconselhamento Parental é um espaço seguro de partilha e de reflexão conjunta de estratégias e resolução de problemas. Além disso, tem o objetivo de promoção de um ambiente familiar saudável, tal como de todos os outros contextos em que a criança /adolescente está inserida. Alguns dos temas mais trabalhados em Consulta de Aconselhamento Parental são o estabelecimento de limites claros e bem definidos, aliados a uma vinculação segura, emocionalmente estável e positiva.

Os pais sentirem o consultório como um espaço seguro, permite refletir em conjunto sobre estilos de vinculação, compreender as necessidades emocionais da criança, ajustar estratégias educativas e opções para fortalecer a relação pais–filhos. Não menos importante, estes momentos promovem o diálogo entre os pais e a constante descoberta de novas competências parentais, mesmo após as sessões de Aconselhamento Parental.

Exemplo prático: quando uma criança sofre bullying na escola

Como exemplo, trago a história do Manuel, de 8 anos, que começou a apresentar resistência em ir para a escola, queixas frequentes de dores de barriga e episódios de choro ao final do dia. Em casa, mostrava-se mais irritável e facilmente “explodia” com os pais. Em consulta, os pais referiram que o Manuel “não parecia feliz” e não sabiam como ajudar.

Através da avaliação psicológica percebi que o Manuel estava a ser alvo de bullying por parte de colegas da turma, sobretudo através de comentários desagradáveis.  Nunca houveram agressões físicas, mas o impacto emocional era bastante significativo. Quando contou aos pais, estes aconselharam-no a ignorar e disseram “isso vai passar com o tempo”. Embora bem-intencionadas, estas respostas acabavam por invalidar a experiência emocional do Manuel, reforçando o sentimento de incompreensão. Ao longo das sessões, o Manuel começou a sentir a consulta como um espaço seguro onde podia exprimir as suas emoções como o medo, a vergonha e a frustração perante o sucedido.

De forma a complementar o trabalho com o Manuel, propus aos pais Consultas de Aconselhamento Parental, de forma a que tivessem apoio emocional neste momento difícil, em que viam o filho triste com esta situação. Além disso, também refletiram sobre a necessidade e importância de darem apoio e presença emocional consistente e segura ao filho, e a possibilidade de articulação com o contexto escolar, de forma a implementar medidas de proteção.

Ao longo do acompanhamento terapêutico, o Manuel não “passou a estar sempre feliz”, mas melhorou o sentimento interno de segurança. Além disso, percebeu que os pais são o seu maior apoio e que pode sempre contar com eles. Conseguiu verbalizar o que o magoava e desenvolver recursos emocionais para lidar com a situação. O que não quer dizer que nunca mais fique triste com esta situação ou outra semelhante, mas sim, que percebeu estratégias de como lidar e com quem deve procurar apoio e ajuda. 

Se o seu filho está a sofrer, seja ansiedade, tristeza, vergonha, etc., é mais que compreensível que se sinta preocupado e até mesmo, sem rumo, e sem certezas do próximo passo. O primeiro passo é procurar ajuda, e desde já os meus parabéns pela procura de informação sobre este tema. O segundo passo é ir à consulta, comprometer-se com a terapia e explorar esta temática.

Na Clínica de Psicologia e Coaching Learn2be temos especialistas dedicados ao estudo e intervenção clínica com crianças e adolescentes.

Se é mãe ou pai e sente que o seu filho precisa de apoio e que iria beneficiar de apoio psicológico especializado, estou aqui para ajudar! Entre em contacto para marcar uma consulta inicial de Psicologia Infantil/Adolescente ou Aconselhamento Parental comigo ou esclarecer qualquer dúvida que surja.

Dra. Sofia Solinho

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