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Terapia de Casal: público LGBTQI+

Um relacionamento é uma construção complexa e cheia de desafios para todas as pessoas, independentemente da sua condição sexual ou identidade de género.

Aspectos que à partida podem parecer simples, tais como compatibilização de gostos e quereres diferentes, de rotinas específicas do parceiro, de formas distintas de encarar e lidar com as respectivas famílias de origem, de desejos e práticas de intimidade física e/ou sexual, entre tantos outros, podem, com efeito, constituir desafios de proporções consideráveis, levando por vezes ao desgaste da relação ou até à incompatibilidade definitiva dos envolvidos.

Os relacionamentos LGBTQI+ deparam-se, para além das questões universais das uniões amorosas, com desafios adicionais ligados, por exemplo, a preconceito social, aceitação familiar, procura de dinâmicas que não se encaixam nos moldes tradicionais (e.g., casamento e adopção por casais do mesmo sexo), sem esquecer os eventuais desafios internos (de aceitação pessoal) que o próprio indivíduo enfrenta.

Como em qualquer processo de terapia, os parceiros podem aqui explorar livremente as suas questões de comunicação, expectativa, conflito, incompreensão e demais aspectos que influenciam e perturbam o relacionamento. Para além disto, a terapia de casal LGBTQI+ tem em consideração as especificidades da validação identitária, bem como o impacto dos preconceitos da sociedade e, ainda, das experiências vividas dentro dos vários grupos onde se movem – família, amigos, colegas de trabalho.

A terapia de casal LGBTQI+ reveste-se de especial importância quando estas pessoas não encontram modelos saudáveis de referência que espelhem as suas necessidades próprias e formas de lidar com a relação. Neste sentido, a terapia pretende ajudar a eliminar ou reduzir este vazio, facilitando uma compreensão mais profunda sobre o relacionamento amoroso, bem como ferramentas para enfrentar os desafios.

Tenho o hábito, na minha prática clínica, de dar a imagem de uma cadeira (como representação de algo sólido e estável), cujos quatro pés constituem os pilares fundamentais de uma relação saudável: Comunicação, Amizade, Intimidade e Projecção de futuro em conjunto.

Tendo isto em consideração, abre-se a possibilidade de explorar e trabalhar questões tão diversas como:
  • Facilitar a expressão de emoções, sentimentos, necessidades e frustrações de forma clara, não agressiva e construtiva;

  • Apoiar no estabelecimento de limites e respeito da individualidade de cada um dos parceiros;

  • Fomentar a oportunidade de fortalecimento da conexão entre os parceiros, como forma impulsionadora de crescimento mútuo, individual e de conjunto;

  • Ajudar a lidar com aqueles que possam constituir-se como impactos externos no relacionamento – preconceito e qualquer expressão de repúdio/fobia;

  • Apoiar na desconstrução de normas tidas como tradicionais, facilitando a exploração de dinâmicas de casal, com vista a promover um equilíbrio saudável e apreciado por ambos os elementos;

  • Contribuir para a clarificação de projectos a desenvolver em comum.

Não sendo demais insistir no óbvio – na premissa de que todos os relacionamentos são merecedores de cuidado, respeito, atenção e afecto, independentemente da forma como se apresentam para o exterior – a terapia de casal pretende contribuir, globalmente, para a facilitação da expressão saudável das necessidades emocionais de cada uma das pessoas envolvidas, melhorando a harmonia pessoal, individual e/ou de conjunto.

Aqui estamos capacitados para o ajudar nesse processo. Não hesite em procurar apoio, se sente que este é o momento.

Gonçalo Duque Plaza
Psicólogo Clínico

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