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Ucrânia, um notável exemplo de coragem moral

Ucrânia, um notável exemplo de coragem moral

A guerra que está a acontecer na Ucrânia está intensamente presente na consciência dos cidadãos de todo o mundo. Trata-se de um evento cujo efeito devastador é impossível ignorar. Mesmo para as pessoas que estão a assistir ao fenómeno à distância, é difícil conter um conjunto de emoções que, naturalmente, variam conforme a avaliação de cada pessoa.

Refletir sobre a experiência humana de viver uma guerra e, particularmente, pensar sobre as emoções que este tipo de fenómeno provoca nas pessoas, leva-nos tendencialmente a pensar em emoções de medo, raiva, tristeza ou nojo. Estas emoções são concordantes com a avaliação crítica que a maioria das pessoas está a fazer desta guerra, dos motivos que a assistem, da forma como está a ser efetuada.

Contudo, mesmo os eventos com consequências tão negativas como as já causadas por esta guerra e, as que ainda pode causar, podem oferecer oportunidades sublimes para melhorar o comportamento humano. Convido-vos, deste modo, a refletirem sobre uma emoção distinta das que são mais tipicamente associadas à guerra e que antes identifiquei. Para fazer esta escolha inspirei-me na atitude decidida que muitos cidadãos ucranianos adotaram para enfrentar as forças invasoras do seu território. Incluindo o próprio presidente doa país. A emoção escolhida é a CORAGEM MORAL.

Coragem Moral 3

Coragem moral

A coragem, em latim coraticum, tem na sua raiz etimológica a expressão cor que remete para coração e identifica esta atitude como emergente das forças mais íntimas e profundas da pessoa. A coragem é frequentemente identificada como um valor pois é associada à fortaleza de espírito. Ela pode ter uma natureza positiva, quando está associada a causas prosociais de salvamento, ajuda, cooperação, mas também pode ser negativa quando está ao serviço de causas antisociais de violência e exterminação de pessoas e povos.

A coragem positiva, aquela que queremos exaltar, inclui um conjunto de componentes: a autenticidade, pois reflete uma atitude verdadeira; o entusiasmo, pois expressa o motivo e o respeito pela vida; a perseverança, pois sustém a ação até à meta; e, o valor, pois enfrenta o perigo. Esta caraterização identifica a coragem positiva como uma ação moral que busca o Bem e a Justiça. A componente de enfrentamento de perigo mostra a existência de custos sociais, psicológicos e, até, biológicos (sobrevivência) inerentes à sua prática.

Então, podemos designar esta coragem positiva de CORAGEM MORAL na medida em que se trata de uma ação moral, de natureza prosocial e que acarreta prováveis consequências negativas para os seus militantes. A coragem moral significa praticar a integridade, ou seja, transformar os princípios morais defendidos pela pessoa em ações correspondentes, independentemente do contexto em que essas ações são praticadas e das possíveis consequências esperadas. Sendo um valor e uma ação moral, a Coragem Moral pode ser classificada como uma Virtude de caráter.

Coragem Moral

Uma das melhores formas de desenvolvermos valores morais e, consequentemente, termos maior orientação para a integridade moral do que para a ideologia da conveniência, é beneficiarmos de modelos que possibilitam vivências positivas relacionadas com determinadas ações. 

Esta guerra, absolutamente dispensável, incontestavelmente inaceitável, dá-nos a oportunidade de vivenciar um notável exemplo de CORAGEM MORAL.

coragem moral

Sobre a atitude do povo ucraniano, é importante adotar um julgamento positivo, expressar sentimentos de gratidão e de admiração, fazer um elogio sublime

Que esta ação moral fique gravada na nossa consciência e que possamos enfrentar os perigos da vida com a coragem que o povo da Ucrânia mostrou ao mundo. Os exemplares morais são aqueles que, sem qualquer dúvida ou conflito interno, agem em prol do bem, da justiça, da vida.

Não tenhamos dúvida que esta é a atitude correta e, necessária, diante dos que em nome da satisfação egóica e narcísica, mais ou menos sustentada em ideologias extremistas, afirmam a legitimidade da sua atrocidade humana.

Dr. Jorge Ferreira

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