O álcool é uma droga legal que quando consumido de forma abusiva constitui um dos mais graves problemas de saúde com efeitos diretos ao nível do cérebro e indirectos a todas as áreas da vida do indivíduo.
O seu consumo de forma habitual prende-se com a combinação de vários factores, quer sejam psicológicos, culturais ou sociais.
Os efeitos consequentes do abuso são variados, nomeadamente, na prevalência de um comportamento desadequado, problemas de memória e de atenção graves, falta de discernimento e de coordenação, assim como falta de controlo e decisão na própria vida.
A vida tem fases esperadas de exigência maior e o álcool é simbolizado na sociedade ocidental como um “parceiro” engraçado e por isso muito aceite.
A pressão dos pares, situações limites de vida, o desejo de pertença a grupos, sentimentos mais desconfortáveis, a presença de ansiedade ou mesmo o lidar com perdas de afecto (depressão), fazem do álcool um perigoso aliado e falso recurso nestes momentos.
As influencias biológicas sobre o álcool e necessidade ou predisposição para beber, falamos até de hereditariedade, poderá passar a um nível secundário nesta reflexão mas terão com toda a certeza o seu grau de influência.
ÁLCOOL E OUTRAS SUBSTÂNCIAS
O álcool é muitas vezes consumido interagindo com outras substâncias igualmente aditivas, tais como o tabaco, o haxixe, as anfetaminas e a cocaína.
O álcool, por si só, compromete e de que maneira o comportamento humano.
Sendo um neurotóxico, o álcool vai actuar ao nível cognitivo e psicomotor, propiciando o aparecimento de problemas mentais graves, como a psicose, ansiedade e depressão.
O álcool em concomitância com outras substâncias, irá afectar o desempenho do indivíduo nas suas funções profissionais ou académicas, assim como nas suas relações sociais e familiares.
A família e a toda a sua dinâmica, é muitas vezes o primeiro grupo de arraste para um problema de alcoolismo, pelo facto de haver uma diminuição da inibição e do controlo de impulsos que incentivam a prática de comportamentos de risco e em alguns casos comportamentos violentos.
DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL VERSUS MUDANÇA DE HÁBITOS
Muitas vezes o dependente do álcool mostra-se muito resistente à mudança, não assume que é dependente e que precisa de ajuda.
Não visualiza que é controlado pela adição, não se compromete consigo próprio, portanto!
Assim, chega à consulta com o psicólogo através da família ou amigos, na maioria das vezes numa situação muito crítica da doença.
A nossa atuação, enquanto agentes de mudança, orientadores, guias, profissionais de saúde e do comportamento humano, passa, mas não só, de forma interessada e munida de conhecimentos, por ouvir a pessoa, percebe-la e guiá-la à forma de poder voltar a ter um convívio normal, voltar a se relacionar e a se comportar.
Em muitas dos casos tratados no consultório, o paciente usou o álcool como uma forma de auto medicação, nomeadamente, contra decepções, culpas, angústias e depressão.
Enganando desta forma o próprio indivíduo de que carece de recursos pessoais internos que lhe permitem ultrapassar as situações sem o álcool.
Nesta questão, a nossa função enquanto psicólogos em atuação com este quadro é a de ajudar a pessoa a encontrar novamente os seus valores, que provavelmente se perderam para que possa estar apto a se relacionar no seu ambiente social, de forma firme e segura, para lá do medo.
7 ESTRATÉGIAS PARA ROMPER COM VICIO DO ÁLCOOL:
- Foco numa vida livre da prisão alcoólica, visualizando e desejando-a (acima de tudo);
- Actividade física com gosto;
- Actividade intelectual que seja sentida como realizadora e produtiva;
- Sair de centros atrativos à manutenção de comportamentos que incitem ao uso e abuso do álcool;
- Modelar novos comportamentos;
- Treino emocional para reestruturação da auto-imagem;
- Percepção das novas possibilidades de vida livre;
- Consciência de que deve ser o decisor das suas escolhas e decisões.
ATUAÇÃO CLÍNICA QUANDO O ÁLCOOL É UM PROBLEMA
Em terapia com a pessoa dependente ou com um problema de álcool são trabalhadas várias dimensões, nomeadamente, a biológica, psicológica e social com objectivos bem concretos de manter a abstinência ou prevenir as recaídas.
Em consulta, um espaço próprio para a atuação, identificam-se situações de risco, auto controlo, novos recursos e aptidões, aumentando as competências da pessoa para enfrentar situações de risco e outra vulnerabilidades.
O treino emocional é crucial, assim como a compreensão e percepção dos pensamentos automáticos do indivíduo com problemas ligados ao álcool.
Desta forma, pretende-se que a pessoa se torna o principal agente na sua mudança, contribuindo com novas lentes, novos focos, novos mundos.
Se sente que a sua vida é prejudicada pelo álcool ou se conhece alguém que queira ajudar por ter a vida presa à ilusão e ao medo anestesiada pelo álcool ou por questões similares, marque a sua consulta de Psicoterapia ainda hoje. Fazendo diferente, obtém-se diferente.
Psicólogo Clínico e Coach, no Learn2be Algarve