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O Perdão como Plenitude da Vida: Libertar-se de Prisões da mente e Curar-se de doenças do corpo!

Na sociedade atual, repleta de informação e exigências, formas de vida tantas vezes automáticas e distantes dos outros, somos confrontados com situações, relações, olhares, conversas, que nos magoam, que tocam nas nossas feridas mais profundas. Gerir estas zangas, angústias, mágoas internas, torna-se um desafio diário para cada de nós.

Escolher perdoar, é uma decisão difícil, à qual muitas pessoas resistem, mas que verdadeiramente possibilita o encerrar de ciclos na nossa vida. Permite não viver no passado. O ato de perdão, é a oportunidade de libertar as amarras que trazem um peso negativo ao nosso dia-a-dia. É ainda um exemplo de inteligência emocional e desenvolvimento pessoal. Tudo o que não esquecemos fica, permanece e desenvolve-se dentro do nosso Eu e não permite a liberdade de seguir em frente e de viver novas histórias, experiências ou vivenciar maior felicidade e satisfação na nossa vida.

Quando falamos em perdão, não implica necessariamente uma reaproximação entre a parte ofendida e o ofensor, tal pode até nunca mais acontecer. O perdão é um processo interno, sentido, pode até não ser verbalizado ou partilhado, e que começa pela aceitação de que o outro erra, falha, ofende, tal como Eu o faço ou farei. Não porque é “mau/má”, não porque Eu o sou, mas sim, porque somos humanos, com histórias de vida e emoções que nos modelam. É importante desenvolver a compreensão da fraqueza do outro, do próprio e permitir uma mudança de perceção sobre o acontecimento e/ou sobre aquela pessoa, sem julgamento ou punição. É olhar com empatia para o outro (ou para si próprio), com amorosidade e permitir-se ver a fragilidade da condição humana.

O foco no comportamento do outro como abusador ou culpado também retira do próprio a responsabilidade de que na verdade algo é “dele” e está “em si”. Permanece no vitimismo, tantas vezes com benefícios secundários, não reconhecidos. 

“A ação do outro que interfere comigo, que ressoa em mim, tem em parte algo que é meu e que preciso olhar, perceber, descobrir e alterar”

E neste sentido o processo de perdoar nesta perspetiva terapêutica tem em si uma dimensão de autoconhecimento imensurável.

Não perdoar alguém ou muitas vezes aguardar até que o outro o faça ou reconheça o seu erro, é ficar preso no orgulho, no ego e em sentimentos de vingança, temperados de ódio e raiva. Ressentimentos, que geram úlceras emocionais, dificuldades de confiar no outro, sentimentos que não digeridos apenas limitam as nossas competências sociais, relações com o exterior e a nossa possibilidade de amar.

Decidir perdoar o outro (ou a si próprio) deverá ser entendido como um ato libertador e de amor próprio. Na verdade, não perdoamos pelo outro, mas por nós mesmos, para que seja possível superar dores e sentimentos negativos, num processo de autocura física, emocional e psicológica.

Quando relembramos o evento doloroso ou traumático que nos provoca essa dor, zanga ou ódio, quando não conseguimos sair desse lugar, estamos sistematicamente a rememorar essa mágoa, entrando em processos de auto-agressão e estados psicológicos de stress, ansiedade, depressão, raiva ou até dor física. Ao conseguirmos desistir da vingança e julgamentos e ao procedermos à ressignificação dessa experiência, própria do processo de perdão terapêutico, mudamos a interpretação ou o foco. Diferente do perdão litúrgico ou moral, o perdão terapêutico permite criar alterações profundas ao nível fisiológico, neuronal ou emocional e trazer novos sentimentos para o nosso dia-a-dia, como a compaixão, o alívio, a generosidade e a leveza. É verdadeiramente um processo de autocura.

"Em última análise, precisamos amar para não adoecer.”

Perdoar o vizinho quando não disse “bom dia”, perdoar o colega de trabalho porque não respondeu como gostaria, perdoar os pais pelas crenças menos boas ou mágoas transmitidas, o filho quando não respondeu adequadamente, o conjugue porque não manifestou afeto naquele dia que precisava, é a chave para viver a vida de uma forma mais plena. Quando perdoamos, quando conseguimos olhar e avaliar conscientemente aquela situação, pessoa ou experiência de uma outra forma, com emoções mais positivas, possibilitamo-nos a mudança individual e o nosso bem-estar físico e emocional.

Estudos realizados por psicólogos especialistas em neurociência do comportamento, demonstram a existência de mudanças na estrutura do cérebro geradas pelo perdão (novas sinapses e novas formas de pensar) e indicam o impacto da capacidade de perdão no aumento do nível de serotonina, na redução da pressão arterial, na qualidade do sono, entre outras dimensões (Kathleen Lawler-Row, 2005), o que gera processos curativos evidentes.

É o sair do instinto da vingança, da dor e do ressentimento, que permite desenvolver o instinto do perdão, como um meio de romper com ciclos (auto)destrutivos, aprendendo estratégias de compaixão, bondade e amor, como forma de resolução de conflitos inter e intrapessoais e enquanto método de gestão de emoções internas.

Aprender, integrar ou desenvolver um processo de perdão (de si ou do outro) é um ato de coragem, de libertação, de autoconhecimento e de autocura. Guardar em nós sentimentos e experiências negativas, torna-nos a pior versão de nós mesmos. Perdoar é elementar na construção de uma vida mais segura, equilibrada, saudável e amorosa.

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