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Suicídio – A Importância da Escola e dos Contextos Educativos na Prevenção

Para que estou a viver? É uma pergunta profunda e difícil, talvez, de perspectivar mas que, falando dela abertamente em contexto de Apoio Psicológico, acaba por promover um aumento de consciência sobre a vida com foco no presente, por parte da pessoa que procura ou é orientada para acompanhamento terapêutico. final. Se é difícil para estes, imagine o que será para o próprio!

A palavra Suicídio, tem origem no Latim moderno, na palavra “Suicidium”, que se decompõe em “sui” que se refere “a si mesmo” e “cidium”, que representa a morte. Assim, o Suicídio parece ser um processo em que a morte é causada por uma intenção de morrer.

A pergunta talvez, mais frequente pode ser o “porque estou a viver?” mas, enquadrando a mesma questão num “para que estou a viver?” acaba por ter um impacto na visão e no propósito da realidade pela pessoa, que vai para além da mera perceção e a pode guiar para um processo de construção de uma realidade mais criativa e mais funcional, em perspetiva.

Viver em perspetiva será muito organizador mentalmente, pelo que a Psicologia, com as suas técnicas, conjuntamente com outras abordagens ao bem-estar, como o Coaching, poderá ser imprescindível e um factor de mudança de um Mindset mais fixo, que por vezes pode bloquear o nosso pensamento e logo, as nossas emoções e comportamentos, para um Mindset
de Crescimento, num espirito mais criativo do que competitivo.

Para aquelas pessoas que não estejam a viver estados mais
depressivos e desesperantes, parece ser difícil compreender o que leva tantas pessoas, de várias idades a faze-lo. O Suicídio parece ser a única opção para uma situação de sofrimento humano, que pode apresentar-se como insuportável e não possível de reverter, de nenhuma outra forma.


Mas, apesar de existir, por norma, um desejo deste sofrimento
acabar, as pessoas que pensam em suicidar-se, parecem viver conflitos internos intensos, sobre morrer e deixar de viver. Desejariam, seguramente, muitas vezes, ver outra alternativa e possível visão sobre a situação, mas parece não haver nenhuma. E, nestes casos, mesmo “hackeando o cérebro” para reverter estes pensamentos e ideações, perante as emoções de tristeza, medo, culpa, este vai fazer o nosso aparelho mental reagir, da forma, habitual, gastando o mínimo de energia possível indo parar aos padrões de pensamento-emoção-comportamento habituais (shortcuts de sempre), podendo impedir uma clareza e uma consciência aumentada, sobre a nossa responsabilidade nas nossas decisões e na nossa vida, porque a vida são as escolhas que vamos fazendo, com aquilo que nos acontece.

Gostaria de refletir, nestes pensamentos que partilho convosco e nalgumas ideias que me parecem ser ferramentas preventivas muito significativas, a poderem ser implementadas nas Escolas, que são, conjuntamente com os pares, os nossos segundos cuidadores.

Em Consulta de Psicologia Infantil e do Adolescente, gosto muito de utilizar, além de todos os instrumentos de Avaliação Psicológica que existem ao nível cognitivo, emocional e comportamental, um questionário sobre Humor e outro sobre Auto-Imagem/Auto-Estima, como guias orientadores, para a forma como as crianças e os adolescentes se sentem a si próprios, sem esquecer também os adultos.

Há uma pergunta que se refere precisamente ao “ter já pensado em não querer viver! (crianças) /ter pensado em matar-se (para adolescentes)” que vem enquadrada nesta questão do “Suicídio”, mas que proponho desta forma, mesmo a crianças mais pequenas e, por vezes, quando menos se espera, aparece um “sim, várias vezes”, maioritariamente, por parte de jovens e adolescentes.

Assim, sinto, ser urgente, enquanto quarta cuidadora (Psicóloga), pensar em Programas de Treino de Competências Psicológicas numa linha de Psico-Educação, para a minha Consulta de Acompanhamento Psicológico, assim como também para as Escolas Portuguesas, que deveriam criar uma linha de trabalho na Saúde Mental e no Bem-Estar Emocional mais coerente
e consistente, a implementar no nosso país!

Tive o privilégio de, no meu percurso profissional, visitar e colaborar com escolas, em vários países, em que, por exemplo, existia uma Equipa Responsável pelo Bem-Estar dos vários participantes da Comunidade Escolar, desenvolvendo várias ações, Talks, convidando Speakers, atividades de Psico-Educação, para alunos, professores, colaboradores da Escola, Pais, entre outros, como por exemplo, a Green School Bali, Indonésia, considerada a Escola Mais Verde do Planeta.

Trabalhar esta consciência de si mesmo, do perceber o poder das suas escolhas de vida e da sua responsabilidade nas mesmas, de trabalhar as suas emoções, de perceber como auto-regulá-las, expressá-las assertivamente ou de pedir ajuda quando não se sente capaz de o fazer de forma mais funcional, são competências imprescindíveis para viver numa Mente Certa, que poderão fazer de nós melhores alunos, melhores cidadãos, melhores filhos, pais, mães, profissionais, cuidadores e
habitantes da Terra.

Costumo apanhar um avião, um barco ou um comboio, quando sinto que não estou a pensar, a sentir e a agir bem na minha vida. Para que? Para mudar de percepção através da mudança de perspetiva. É transformador para mim! Traz-me de volta ao meu ser mais coerente com os meus valores e dissolve crenças menos funcionais.

1. Conhecer-me a mim mesmo: os meus valores, as minhas crenças, os meus super-poderes, as minhas áreas a melhorar;
2. Identificar, Regular e Expressar as minhas emoções com base na
Assertividade e na Responsabilidade Afetiva;
3. Formular e Atingir Objetivos;
4. Equilibrar as várias áreas da vida (Roda da vida);
5. Qual o meu contributo para as coisas que acontecem?;
6. Conhecer o desenvolvimento da Estrutura da Personalidade Humana;
7. Comunicação Não-Violenta;
8. Respirar e Atenção Plena: Uma ferramenta para me focar no presente e regular emoções;
9. Eu sou capaz de… Análise SWOT pessoal como forma de me auto-regular e melhor funcionar;
10. Propósito de vida e acompanhamento ao longo da vida;
11. Competências de Orientação Vocacional e Tomada de Decisões consciente e coerente com valores pessoais;
12. Propor atividades de “Fazer ou não Fazer” e “Eu Penso, Eu Escolho”;
13. Uma Escola de Pais, com estas mesmas atividades e com o trabalho no “Como ser Primeiros Cuidadores Promotores de Crianças e Famílias Saudáveis”;
14. Re-Pensar o Ensino e as Escolas/ Locais de Trabalho, onde passamos a maior parte do tempo, como locais de Desenvolvimento de Competências Psicológicas para a Vida.

Várias seriam as competências que poderiam fazer parte de uma disciplina Transversal, sem divisão estanque das restantes, para Aprender a Ser e a Viver na Mente Certa.

A Psicologia e a Saúde Mental, assim como outras áreas da Saúde, deveriam ser uma constante, no trabalho diário nas Escolas e nas Famílias, como base conjunta do desenvolvimento cognitivo, focando a aprendizagem em várias outras dimensões (emocional, social, individual, etc.) através da experiências de estados de Flow (Fluir) o mais frequentemente possível.

Viver é desafiante, mas se, nos propusermos, enquanto País, a desenvolver contextos de aprendizagem/trabalho, tendo em conta o desenvolvimento contínuo destas Competências Psicológicas, poderemos ter mais possibilidades de escolher, de forma mais consciente, equilibrada e feliz, o que fazer com o que nos vai acontecendo ao longo da vida e do nosso crescimento como Humanos, vivendo assim uma vida com maior foco, direção, propósito e assente na autenticidade!

Considero, assim que para que não se sinta a necessidade de “uma luz ao fundo do túnel”, com tanta frequência, se trabalhem estas Competências Psicológicas e outras, nos vários contextos de vida! Seria fantástico, que Portugal, progredisse para o desenvolvimento deste Mindset nas Escolas e nos locais de trabalho, onde passamos grande parte da vida, e que acabam por ser contextos cuidadores e de modelagem dos pensamentos, emoções e comportamentos no aprender a ser, como prioridade sobre o aprender a fazer ou a ter.

Simone André da Costa
Psicóloga 

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