A vida humana nasce de acontecimentos aleatórios, sem caminho predestinado e com a consciência de que a finitude é uma realidade;
Receber a notícia de um diagnóstico de cancro, anuncia um processo de mudança e adaptação pelo próprio e pela sua família. Trata-se de uma realidade que leva a transformações, incertezas, sofrimento físico, emocional, social, familiar e espiritual.
Confiar na equipa multidisciplinar que o irá acompanhar ao longo de todo o processo, é fundamental. Ao mesmo tempo deverá assumir um papel enquanto “participante ativo” na tomada de decisão do processo de tratamento. Quanto maior for o seu envolvimento e da sua família em todas as fases do processo, maior será o impacto positivo de toda a jornada.
O acompanhamento psicológico deve desde logo ser ponderado, para o ajudar a ganhar competências e estratégias para lidar com a doença, promovendo comportamentos e atitudes que permitam lidar de forma mais eficaz em todo o processo. Melhorando a sua qualidade de vida, e respeitando os seus valores, tradições e cultura.
Na fase de pré-diagnóstico é natural sentir ansiedade pela incerteza do diagnóstico, caso se confirme poderá passar por sentimentos como o choque e a negação. Nesta fase é aconselhável a procura de ajuda através do apoio psicológico, para reduzir o stress, ansiedade, tensão psíquica e muscular. Prevenindo desta forma, o estado depressivo e promovendo o espírito de luta; Se o diagnóstico for confirmado, o processo deverá ser continuado promovendo a aceitação, quer ao diagnóstico quer ao tratamento e preparando – o para os desafios que se aproximam, como a adaptação à doença e os seus efeitos secundários. Devem também ser abordadas situações como quem será a rede social segura, e promovendo uma comunicação aberta entre doente, família e amigos. A última fase será a promoção da manutenção de uma vida com qualidade, abordando possíveis recaídas e oferecendo o suporte necessário, sempre alinhado com a compreensão e com a sua vontade em saber a verdade. Ao longo da jornada existirão dias fáceis, mas também dias difíceis, contudo, o apoio de ajuda profissional e rodear-se de um ambiente positivo e tranquilo, poderá ajudar a passar esta fase com mais ânimo e tranquilidade.
É importante falar de forma aberta e positiva, para transformar a dor em amor. Porque amor e autocuidado é um ato de Amor Próprio. Resgate a sua coragem, procure toda a ajuda, permita-se ser ajudado, aprenda a lidar com as mudanças, rodeie-se das pessoas que lhe fazem bem e por último Acredite Sempre! A cura começa de dentro para fora.
A doença oncológica não é uma escolha, mas cada um de nós pode escolher a forma de como a viver. A vida é feita de escolhas, por isso escolha viver de forma plena! O cancro não define quem somos, o que nos define é a forma como encaramos os desafios que nos vão surgindo ao longo da jornada. Lembre-se que a esperança é uma arma poderosa, porque nos motiva a seguir em frente, a acreditar em dias melhores e a lutar com todas as nossas forças. Encare por isso, os seus dias como pequenos passos para a superação.
Apesar de todos os obstáculos a vida merece ser vivida. Faça por abraçar a vida, lembrando-se que esta é uma jornada única e que não está sozinho/a. Agende hoje mesmo a sua sessão!
Dra. Patricia Canaverde
Recomendações de leitura:
“Amar a Vida como ela é” – Sofia Caessa
“Luisa e o Lobo” – Luisa Virtudes
“Manual para “descomplicar o cancro” – Marine Antunes
“Revista Digital Oncoglam Magazine”