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Espelho, espelho meu…não há mais belo do que eu!

Dizem que havia um jovem muito belo, por quem as jovens gregas e as ninfas se apaixonavam perdidamente. Chamava-se Narciso. Era belo, mas muito arrogante, vaidoso e desprezava os sentimentos das jovens. Um dia, segundo o mito, Narciso aproximou-se de um lago e apaixonou-se profundamente pela sua própria imagem refletida na água. A paixão por si próprio, foi explicada por alguns estudiosos, como um castigo divino.  O amor inatingível que conduz o jovem Narciso à morte. Narciso ficou preso à contemplação do seu próprio reflexo e assim morreu.

De acordo com a ciência psicológica, o mito de Narciso não se prende à paixão pelo seu próprio reflexo, mas sim ao facto do jovem não se reconhecer nele. (Pinsky e Young, 2009, in Antunes, 2017). Por outras palavras, os indivíduos narcísicos não são autoconscientes, são dissociados do seu verdadeiro self, sentem-se assombrados por sentimentos de solidão, vazio e procuram incansavelmente admiração, afeto e reconhecimento dos outros. Os narcísicos procuram a vida inteira um reflexo gratificante como forma de apaziguar o crónico sentimento de vazio.

Às vezes ficamos tristes, e claro, não é por isso que temos depressão. Da mesma forma, também não é por andarmos mais distraídos ou perdermos objetos que temos TDAH. Ora, também não é porque às vezes sentimo-nos mais ansiosos que temos ansiedade patológica, logo, não temos necessariamente Perturbação da personalidade Narcísica só porque por vezes somos mais vaidosos, ou menos interessados no outro. A questão primordial é o padrão. Para além do número de características amplamente descritas que descrevem esta perturbação, é fundamental que seja um padrão presente na vida da pessoa. Para alguns autores, a diferença entre alguém com algumas caraterísticas narcisistas (sem padrão) e o transtorno propriamente dito de personalidade narcísica centra-se sobretudo na capacidade de olhar o mundo na perspetiva do outro, e não ficar preso no seu próprio mundo, a capacidade de notar e sentir o outro. De uma forma suficientemente razoável, a pessoa consegue várias vezes, perceber o impacto das suas ações nos outros e procura não repetir o erro.

De seguida, vamos olhar para as caraterísticas presentes em pessoas com esta perturbação. Não são caraterísticas simpáticas de facto, mas são reais, e de forma expressa ou subtil, são elas que tornam tão impactante a vida das pessoas que convivem com estes sujeitos. Não podemos afirmar que a Perturbação clínica da personalidade narcísica é comum, porque felizmente não é assim, contudo, esta questão do narcisismo tem facetas subtis e quase aceites na sociedade nos dias de hoje (narcisismo não clínico). Em bom rigor, é importante olhar para estas caraterísticas como a antítese do que é a bela natureza humana.

  • Sentimento fortíssimo de superioridade em relação aos outros: Grandiosidade e esperam ser reconhecidos como tal;
  • Necessitam ser admirados e procuram elogios e validação dos outros, esperam reconhecimento da sua natural superioridade;
  • Dificuldade em reconhecer, identificar-se com sentimentos e necessidades de outros. Focam-se principalmente nas suas necessidades e desejos (falta empatia);
  • Usam da manipulação sem respeito pelos sentimentos do outro como forma de alcançar os seus objetivos, sendo que esses podem até passar apenas por admiração e aplausos constantes;
  • Acreditam e anunciam muitas vezes que os outros sentem inveja deles;
  • Sentem inveja dos outros;
  • Manifestam forte dificuldade, intolerância em aceitar críticas; não têm capacidade autocrítica;
  • Nunca se colocam em causa, consideram que tem sempre razão;
  • Acreditam que o outro se sofre ou se tem problemas na vida, é porque merece, é porque é fraco;
  • Humilham, desvalorizam frequentemente os outros; humilham o outro em público; difamam a pessoa descartável por eles;
  • As conversas são muito centradas em si próprios, nas suas realizações e talentos, conquistas; interessam-se pouco pelas histórias do outro;
  • Não conseguem trabalhar em equipa ou ter um projeto familiar. O que lhe interessa é trabalhar só no seu projeto;
  • Têm pouca ou nenhuma consciência do seu narcisismo. Projetam no outro falhas e culpam os outros pelos seus próprios fracassos;
  • Dificuldade em manter relações profundas, próximas;
  • Nível da autoadmiração de natureza mórbida (diferente de autoestima saudável);
  • Fantasias de sucesso irrealistas, arrogantes e muito vaidosos;
  • Acreditam que são seres especiais e devem dar-se com outros seres especiais;
  • Instabilidade emocional, sentem raiva descontrolada;
  • Controladores; procuram o poder, lugares de destaque, chefia; aprisionam a autonomia do outro; em casal controlam o seu dinheiro, não partilham;
  • A preocupação com o sucesso, conduta exemplar, dinheiro, status, amigos influentes, admiração, roupas de marca e carros luxuosos é constante;
  • Podem mentir para se safar de uma situação desagradável ou mentir sobre os eventos de uma situação para se colocar numa posição de maior importância, quando apanhados na mentira têm tendência em tornar a mentira mais complexa para não admitir o erro;
  • Exercem Gaslighting, uma forma de abuso psicológico que consiste em manipular a vítima para que ela duvide da sua própria memória, perceção e sanidade mental.

Revelar comportamentos narcisistas pontuais pode significar que a pessoa tem traços na sua conduta e personalidade, mas não chega para atribuir um diagnóstico de Perturbação Personalidade Narcísica. Para esta, o comportamento faz parte de um padrão que se mantém ao longo do tempo. É necessário estar muito atento se existe este padrão, se realmente é sempre assim ou se foi assim uma vez ou outra. De facto, se não estiver perante uma perturbação da personalidade, é como se a pessoa se conseguisse colocar em causa após ter determinado comportamento e genuinamente pedir perdão e não repetir (ou esforçar-se para) o erro. A pessoa com perturbação Personalidade Narcísica, não se coloca em causa e a reação à crítica vem sempre em modo de raiva descontrolada ou em tentativas de sedução (manipulação) para voltar a ter o controlo na relação, sendo certo que tudo voltará a ser como antes.

Para compreendermos a origem desta perturbação, podemos olhar ao que vários autores concluíram nos seus estudos. Por exemplo, Freud centrou-se no narcisismo como sendo uma forma de sexualidade infantil que era necessária ao desenvolvimento, construído entre o autoerotismo e o amor objetal, onde o Eu se torna o objeto do investimento libidinal, narcisismo primário. A posição descrita por Freud é que o bebé é tratado como um rei na família, resultado da projeção dos pais para os filhos, em que o efeito da linguagem e comportamentos dos pais indicam a troca da consciência crítica para a imagem idealizada. Esta projeção é vivenciada pelo bebé e forma o ego ideal (Wittels, et al 1994). Assim se dá início à entrada primária do narcisismo, que é a forma mais primitiva do Eu, onde a criança obtém prazer em si mesma, sente-se ideal para a figura que cuida de si. Porém, a relação dual (mãe-bebé) é, a dado momento, suspensa pela relação edípica. Esta relação edípica está relacionada com a entrada do pai na relação, que rompe a completude vivenciada pela criança, o que deixa de ser perfeita com a mãe, que, segundo Freud (1992), está associada à primeira ferida narcísica do ser humano. Com isto, a criança depara-se com a sua incompletude, onde se vê confrontada com o ideal que não é o dela, o ego já não é igual ao ideal, e com o qual se compara, isto é, o ego passa a ter ideias (Braconnier, 2000; Macedo, 2005).

Após esta adaptação e reconstrução psíquica, o investimento libidinal deixa de ser feito em si para ser feito no objeto, contudo há uma parte da carga libidinal que se mantém no Ego, contribuindo para o estabelecimento da autoestima (Freud, 1992; Wittels, et al, 1994). Assim sendo, esta é a nova forma de investimento reforçada pelas pulsões de autoconservação, que tem como objetivo agradar e reconquistar o amor e atenção do outro para obter novamente as satisfações da perfeição narcísica, comportamento e pensamento estes associados ao narcisismo (Braconnier, 2000; Holmes, 2001).

Para existir uma estabilidade psicológica é necessário que haja uma capacidade de se formar uma relação de apego segura em idade prematura, a fim de se obter uma base segura externa da realidade e uma base segura interna de si. Esta relação permitirá um desenvolvimento saudável do narcisismo, na forma como o outro é visto, estando presente para garantir a segurança e o conforto, porém, poderá surgir uma rutura ou falta destes relacionamentos (falha na relação), o que vai levar a consequências nos fenómenos narcísicos, onde o sujeito usa-se a si para ser a sua base de segurança (Holmes, 2001). As exteriorizações da perturbação da personalidade narcisista advêm de uma tensão (conflito) criada de fatores externos e internos, que se manifestam em carências narcísicas ao nível da identificação, autorreconhecimento e da autoestima (Fuks, 2003).

A Ansiedade Infantil - O meu filho está sempre preocupado. Será normal? (Parte II)

A perda ou afastamento de uma das figuras de vínculo, em idades precoces, pode constituir num trauma que põe em causa a autoestima e o funcionamento psíquico, especialmente quando não existem figuras de vínculo que substituam esta perda. Por outro lado, a aproximação excessiva está relacionada com a total satisfação das necessidades narcísicas, isto é, não há abertura a espaço de frustrações que potenciam o desenvolvimento e que garantam uma ligação com a realidade, o que leva mais tarde à ausência da existência de competências contra as contrariedades de situações que minimizem o sentimento de poder e domínio do sujeito, canalizando para falta de controlo e agressividade ou para isolamento ou fuga. Estes dois caminhos levam a que a pessoa de certa forma crie estratégias defensivas para lidar com angústia de perda de identidade sentida. 

Estes pontos de vista ajudam a entender o modo de funcionamento dos sujeitos narcísicos. Quando se deparam com o sucesso alheio, os seus comportamentos perante o outro que tem sucesso são de destruição, raiva ou de silêncio profundo para que o sucesso caia em esquecimento, não destrói, mas também não valoriza (Fuks, 2003).

Resumindo, fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno de personalidade narcisista. Os cuidadores podem ter sido excessivamente críticos, frios, distantes ou elogiaram excessivamente a criança sem permitir o erro como forma de aprendizagem e autonomia. Cuidadores extremamente ausentes ou excessivamente protetores.

É interessante diferenciar o egoísmo do narcisismo. Para os sujeitos egoístas o mundo exterior é bastante importante e há propensão para tirar proveito dos objetos, ao passo que o narcisista não valoriza o exterior nem os objetos, mas sim vive única exclusivamente para si (Wittles et al, 1994). O narcisista considera-se como sendo o mundo exterior, as suas relações com os pares, os seus companheiros, são tratados como objetos, servem para sustento da sua autoestima. O narcisista mantém contato com o mundo exterior para satisfazer o reflexo da sua imagem e vangloriar-se (Casey & Kelly, 2007).

Imagine-se um cenário possível, para melhor compreender esta diferenciação. Um egoísta não partilha (ou tem manifesta dificuldade em fazê-lo) uma mesa cheia de comida com os outros; já um narcisista pode oferecer um banquete com o objetivo de se sentir admirado por todos.

Ao nível sintomatológico, um narcisista manifesta-se através de sentimentos de grandeza, egocentrismo extremo, ausência de relações empáticas, inveja, incompreensão e de desprezo pelos seus próprios sentimentos de tristeza e de luto. Perante a perda, abandono ou rejeição apresenta sentimentos de raiva, desejo de vingança e não de tristeza (Silva, 2003). E como já referido, tudo faz parte de um padrão de personalidade que perdura no tempo.  A pessoa não consegue não ser assim, é um modo de funcionamento.

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, DSM 5 (2014), o diagnóstico da Perturbação de Personalidade Narcisista obedece a  “Um padrão de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia que surge (consagra-se), diria) no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco ou mais sintomas dos seguintes: 1- Tem a sensação grandiosa da própria importância (p. ex. exagera conquistas e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha as conquistas correspondentes). 2- É preocupado com fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho, beleza ou amor ideal. 3- Acredita ser “especial” e único e que pode ser somente compreendido por, ou associado a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada. 4- Demanda admiração excessiva. 5- Apresenta um sentimento de possuir direitos (p. ex. expetativas irracionais de tratamento especialmente de acordo com as próprias expetativas). 6- É explorador em relações interpessoais (p. ex. tira vantagem de outros para atingir os próprios fins). 7- Carece de empatia, reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e as necessidades dos outros. 8- É frequentemente invejoso em relação aos outros ou acredita que os outros o invejam. 9- Demostra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes.”

Frequentemente confunde-se também narcisismo com autoestima. O narcisismo patológico não tem em excesso amor-próprio, mas sim a sua falta crónica, conduzindo a pessoa a executar esforços insaciáveis para atenuar essa falta através de admiração externa (Deretti, 2006).

No narcisismo existe uma ambivalência, a pessoa considera-se demasiado importante e nas ocasiões em que a realidade não lhe traz provas disso, aparece o sentimento de não ser nada, este facto motiva a necessidade de constantes confirmações daquilo que idealiza sobre (Vaz, 2006).

Os sujeitos narcísicos manifestam uma fortíssima intolerância às críticas. Quando aliado a um perfeccionismo, esforçam-se muito para cumprir com as suas tarefas ao limite do perfeito. Sentimentos de vergonha, humilhação e autocrítica podem estar ligadas com o retraimento social, ao humor depressivo e a perturbações depressivas persistentes ou a perturbação depressiva major. Por outro lado, existe também associação com o humor hipomaníaco, este quando existe é sustentado de grandiosidade. A Perturbação de Personalidade Narcisista convive muitas vezes com outros problemas, tais como a anorexia nervosa e perturbações por uso de substâncias, perturbações da personalidade histriónica, borderline, antissocial e paranoide.

A psicoterapia pode ser um tratamento eficaz, caso a pessoa concorde em fazê-la. Há uma enorme resistência e descrença por parte de uma pessoa com Perturbação Narcisista. O objetivo terapêutico foca-se no desenvolvimento emocional da pessoa que ficou num self muito primitivo (Kohut).

A psicoterapia pode ajudar a identificar mecanismos de defesa, ensinar a ser, pensar a dois pode ser um caminho eficaz para que esta pessoa desenvolva forma de ser, estar, sentir e pensar.  Independentemente das técnicas e abordagens usadas, os pacientes narcísicos são considerados extremamente difíceis de tratar, precisamente devido às características próprias desta perturbação, rejeição do diagnóstico, vergonha, culpa, ausência de empatia o que dificulta a relação terapêutica e sensação de falta de controlo na situação. Momentos de lucidez em que também se defrontam com o seu próprio sofrimento pode ajudar na iniciativa de fazer um tratamento.

Gostaria de terminar com um olhar sobre o narcisismo não clínico, camuflado (ou nem tanto) na sociedade atualmente.

Na Cultura do Narcisismo (1979) Christopher Lasch, faz uma análise crítica da sociedade contemporânea, concentrando-se em como o narcisismo se tornou uma característica dominante na cultura moderna na época. Na era da televisão e dos media, já descrevia uma sociedade de pessoas excessivamente preocupadas consigo mesmas numa busca constante pela validação externa. Ora, hoje em pleno ano 2025, todos nós conseguimos perceber o alcance visionário que este autor teve na leitura da realidade.

Por exemplo, crianças que sentem que nunca conseguem corresponder aos desejos frenéticos de sucesso dos pais podem tornar-se adultos com um ego frágil e ficarem presos a pensamentos e comportamentos narcisistas de forma a suster o ego.

Temos de voltar a ensinar às crianças e adultos, que não temos de ser os melhores, mas apenas o melhor que podemos ser!

O narcisismo não clínico e camuflado é prejudicial para a sociedade. Não é facilmente identificado e não se traduz em disfuncionalidade. Mas não deixa de ser destrutivo, até porque consegue levar ao limite as pessoas que vivem ou trabalham com sujeitos assim.  Não é fácil estar perto de pessoas que mentem, inferiorizam, humilham. Impõem que o mérito do que é bom lhes pertence, sempre. Culpam os outros pela responsabilidade daquilo que pior fizeram.

Pessoas narcisistas podem não apenas tornar a convivência diária difícil, como também tentar interferir na vida de terceiros o tempo todo.

Pais ou mães, por exemplo, desejam controlar a vida dos filhos na tentativa de viver através deles. Colegas de trabalho querem colocar outros profissionais para baixo para tentarem se destacar no ambiente de trabalho ou, ainda, sabotá-los. Cônjuges ignoram os sentimentos do parceiro e preocupam-se apenas com as suas próprias necessidades emocionais, e muitos outros exemplos cujas histórias de vida nos são relatadas todos os dias.

Na Learn2be queremos contribuir para ajudar quem sofre com esta perturbação, sejam os próprios, sejam as pessoas que acabam por ser vítimas de pessoas narcisistas, mas também queremos contribuir para uma sociedade mais humana, empática e feliz.

Obrigada. Até breve!

Ana Afonso Guerreiro
Psicóloga Clínica

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