Ser mãe é uma das viagens mais bonitas na vida de uma mulher e também a mais desafiante.
É uma experiência única que deve ser vivida exclusivamente por nós. Nesta jornada, vamos passar por várias oscilações, algumas em que te sentirás a flutuar por lugares incríveis onde desejas lá ficar, outras que estão completamente despovoadas, onde irás ter receios e medos de explorá-las sozinha.
A verdade é que ninguém nos prepara para sermos mães, e por isso ouvimos tantas vezes aquela célebre frase: “Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”. É precisamente aqui que começa o nosso maior desafio!
A maternidade não pode anular os nossos múltiplos papéis. Muitas de nós acabamos por nos desconectar do nosso próprio eu, por sua vez, da nossa verdadeira essência, tornando difícil (re)encontrar a Mulher que há em nós.
Quando assumimos o papel de mãe, muitas vezes de forma inconsciente, tendemos a fechar a mulher que éramos num local que pensamos nunca mais visitar ou simplesmente deixar de pensar nela.
Estamos perante pensamentos contraditórios, ou seja, ao mesmo tempo que sentimos um amor desmedido pelo nosso bebê, cresce a preocupação, a exaustão de uma nova rotina e acabamos por sofrer uma crise de identidade. Tudo isto influencia a nossa autoestima, enquanto mães, meninas e mulheres.
Ser mãe é, provavelmente, um dos papéis mais difíceis que todas as mulheres experimentam. Mas a realidade é que não podemos separar a mulher/mãe, por isso devemos aceitá-la e compreendê-la.
Como podemos lidar com todo este turbilhão de emoções?
É importante partir do zero, olhar para os nossos filhos como seres únicos, cujos comportamentos serão diferentes de todos os outros, apesar de haver pontos em comum. Por esta razão, devemos experienciar as nossas emoções como mães individuais.
A validação das emoções é um processo essencial ao teu bem-estar psicológico. Este processo envolve a aceitação das vivências emocionais (tuas e dos outros). Para isso, vamos deixar para trás preconceitos, sem perguntas e julgamentos.
Quando validamos uma emoção, seja nossa ou do outro, estamos perante um processo de aceitação, ou seja, não criamos uma sentença sobre ser “certo” ou “errado”, vamos senti-la sem a ignorarmos ou compararmos.
Ao dizermos a nós próprios e a quem nos rodeia que aceitamos aquela emoção como resultado da nossa história, estamo-nos a libertar de uma visão rígida daquilo que acreditamos ser suposto sentir, e isso conecta-nos e devolve-nos o equilíbrio.
É fundamental que as nossas emoções sejam validadas, só assim podemos transformar os nossos pensamentos e deixarmos as culpas de lado e aceitarmo-nos enquanto mães e mulheres.
Ao longo desta jornada chamada maternidade, os pensamentos foram apontados como gatilhos frequentes das emoções.
Quanto mais ativamos a componente emocional, mais a componente cognitiva fica comprometida. Aqui, confrontamo-nos com pensamentos como: “perdi a cabeça”, “a culpa foi minha” ou “como fui capaz de fazer isto?”
Por esta razão, não há nada melhor que, primeiramente, identificares as tuas emoções, para que as consigas validar e escutar as tuas vozes internas e dar as respetivas respostas sem culpas.
A sensação de culpa está diretamente relacionada com a representação social e com as expectativas que colocamos acerca da maternidade. Por vezes, não é mesmo nada fácil lidar com esta voz interna: “a culpa é tua”.
Para lidarmos com esta sensação, não há nada melhor que criarmos as bases para darmos respostas a estas vozes internas.
– Aceita que não há mães perfeitas e que cometes os teus erros.
– Fomenta uma imagem mais positiva acerca de ti própria.
– Não alimentes a culpa, o erro faz parte do caminho.
– Assume a responsabilidade de um grito, de um revirar de olhos.
– Orgulha-te de tantas vezes respirares fundo.
– Acolhe-te enquanto mãe, menina e mulher.
– Assume o teu papel enquanto mãe sem medos de opiniões alheias.
– Abraça as tuas imperfeições com naturalidade.
– Deixa de lado expetativas irrealistas.
– Trata do teu bem-estar físico, mental e emocional.
– Recorre à tua rede de apoio para exercer o teu papel enquanto mãe.
– Partilha os teus planos internos.
– Identifica as tuas emoções e aceita-as.
– Abraça a mãe e a mulher que se deita contigo.
Conta connosco para te acompanhar nesta jornada, iremos fazê-la juntas e de forma unida.
Dra. Filipa Abecasis