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O Paradoxo das Redes Sociais: Conexão ou Desgaste Mental?

Imagine o seguinte cenário: pega no telemóvel para ler uma mensagem rápida e, sem se aperceber, acaba por passar imenso tempo a deslizar por um feed infinito de publicações. Parece-lhe familiar? Muitos de nós já passámos por isso e até arrisco dizer que é uma prática diária. Mas já parou para pensar no real impacto que este hábito pode ter sobre si?

As redes sociais prometem conectar pessoas e são aliciantes também por essa possibilidade, facilidade e imediatismo, mas, por vezes, acabam por nos desconectar de nós próprios e também das relações que temos com os outros. Estudos já demonstraram que o uso excessivo das redes sociais está cada vez mais associado a problemas como ansiedade, depressão e dificuldades em dormir. Isto é especialmente preocupante para os jovens, que se encontram numa fase de descoberta e formação da identidade.

Falemos agora sobre alguns dos aspetos negativos das redes sociais:

1. Aumento da pressão social e as comparações irreais:
Comparar as nossas vidas às fotos “perfeitas” que vemos online, sem dar por isso, podemos sentir-nos insuficientes e insatisfeitos. A comparação frequente a influenciadores digitais tem contribuído para desenvolver questões emocionais tais como uma baixa autoestima. Também o medo de ficar de fora (“FOMO”) leva a um uso ainda mais obsessivo das redes.

2. Cyberbullying e Assédio Online:
O anonimato e a facilidade de comunicação ampliam os casos de bullying digital, afetando a saúde mental. As consequências podem incluir isolamento social e comportamentos autodestrutivos.

3. Impacto no Desempenho Escolar:
Uso contínuo das redes interfere na capacidade de concentração e memorização. Resultados académicos são prejudicados devido à distração constante.

4. Desconexão das Relações Reais:
Foco excessivo nas redes reduz a qualidade das interações presenciais. Jovens desenvolvem dificuldade em construir relacionamentos autênticos.

1. Pressão social:
Esta pressão é diferente da sentida pelos jovens, mas igualmente pesada, pois os temas vão mudando ao longo da fase de vida. Também enfrentam com informações incessantes e uma necessidade compulsiva por notícias negativas (“doomscrolling“).

2. Exaustão Mental e Burnout Digital:
O trabalho remoto e as redes sociais aumentam a sensação de estar sempre “ligado” o que, aliado à falta de descanso adequado e à dificuldade em desligar, pode levar a um esgotamento.

3. Impacto na Produtividade e Criatividade:
As redes como Instagram e TikTok promovem a procrastinação, reduzindo a eficiência no trabalho. A exposição contínua a conteúdos similares inibe a criatividade e a capacidade de concentração, foco e atenção.

4. Efeitos nas Relações Familiares e Amorosas:
Podem existir desentendimentos por causa de uso excessivo do telemóvel e/ou das redes sociais, que aumenta a desconexão emocional entre as pessoas, criando sérios desafios relacionais. As relações são prejudicadas pela atenção constante ao mundo virtual.

  • Aumenta os riscos de Dependência Tecnológica, o que compromete competências como a autonomia e a empatia, e aumenta o isolamento, em gerações futuras.

  • Distorção de Realidades e Valores, uma vez que as narrativas online tendem a simplificar ou manipular a realidade, moldando perceções irrealistas, bem como alguns valores como a autenticidade e resiliência podem ser substituídos por validação imediata.

  • Evolução de Transtornos Psicológicos.

Compreendo que possa ser difícil viver num mundo longe das redes sociais e não tem de ser necessariamente essa a solução, pois também é importante adaptarmo-nos e, sobretudo, viver em equilíbrio e da forma que mais nos fizer sentido. Contudo, podemos sempre fazer escolhas mais saudáveis e autênticas, para melhorarmos a nossa forma de estar e saúde mental.

Já ouviu falar em “detox digital“? Esta é uma prática importante para reduzir a sobrecarga de informações, melhorar o foco e promover o bem-estar me. A ideia é simples: fazer uma pausa nas redes sociais para recuperar o equilíbrio. Isto não significa abandonar o mundo online de vez, mas estabelecer limites que façam sentido para si. Coisas simples como:

– Deixar o telemóvel fora do quarto antes de dormir;

– Não mexer no telemóvel durante as refeições, praticando mindfuleating;

– Estabelecer limites de tempo para o uso de redes sociais (apps como o Screen Time (iOS) ou Digital Wellbeing (Android) ajudam a rastrear o tempo gasto;

– Desativar/silenciar notificações desnecessárias;

– Desative contas de redes sociais temporariamente e perceba o impacto que pode ter em si;

– Definir propósitos para o seu uso digital, evitando uso desnecessário e sem rumo;

– Substitua o tempo online por tempo offline (ler, fazer exercício físico, técnicas de relaxamento)

– Dar prioridade a conversas presenciais;

– Crie zonas sem tecnologia em casa, determine áreas onde o uso do telemóvel seja interdito;

– Pratique a desconexão do telemóvel durante os fins de semana.

Se sente que as redes sociais estão a roubar mais do que devolvem, que tal dar um passo atrás e repensar essa relação? Convido-o a refletir sobre isso: avalie os benefícios e malefícios sobre o seu uso digital, como impacta a sua vida e procure fazer mudanças conscientes; tire tempo para a introspeção e autoquestionamento, tentando perceber se o tempo que está online está a ser bem aproveitado ou se, ao invés, está a ser uma fuga dos problemas reais.

Implementar algumas das práticas mencionadas gradualmente pode levar a um equilíbrio mais saudável entre o uso da tecnologia e a necessidade de desconectar-se para preservar o bem-estar mental e físico.

Caso se identifique com o que leu e sinta que tem dificuldade em desligar ou gostava de refletir melhor sobre o seu uso das redes sociais, não evite mais e marque uma consulta, estarei disponível para juntos olharmos para si.

Dra. Carolina Almeida

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