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Psicologia do Bebé: Digressão dos Sentidos (Part I)

A relação precoce do bebé com os pais tem uma importância no desenvolvimento muito especial. ​Enquanto pais e educadores, o nosso papel é esticar as capacidades e recursos que as nossas crianças têm, ajudando-as a aprender. 
Ao aprender estão a crescer, a evoluir,descobrir o mundo interno e externo.

O PRIMEIRO ANO DE VIDA É CRUCIAL NO FUTURO RELATIVO
À SUA SOCIALIZAÇÃO

É nas relações iniciais com o seu ambiente que o bebé estabelece importantes mecanismos de um desenvolvimento seguro e vai modelar o que é estar em relação, com os modelos primários (pais). ​Assim, vai orientando a resposta que vai recebendo face às suas necessidades naturais e expectáveis.
​Desta forma, a questão relativa ao afastamento do lar e, por consequência, da mãe, poder e dever ser vista, neste primeiro ano, como algo que poderá ter futuramente, danos sérios que merecem análises e alguma consciencialização. 
​Estes tempos, nas sociedades ocidentais obrigam muitas vezes a este afastamento precoce, quer pelas exigências económicas, quer pela velocidade dos acontecimentos, quer pela posição da mulher no mercado de trabalho, o que merece maior abordagem. 
No entanto, este artigo composto por duas partes, pretende consciencializar para o processo de aprendizagem e a importância dos sentidos no crescimento natural do bebé.

​BRINCAR É O MEIO POR EXCELÊNCIA PARA A DESCOBERTA DESTE MUNDO NOVO EXTRAUTERINO E DESDE O MOMENTO EM QUE O BEBÉ NASCE QUE O MESMO DETÉM INTELIGÊNCIA PARA O “ENFRENTAR”.  

Verificamos isto por exemplo, quando ao nascer o bebé é logo capaz de aprender a sugar o leite da mãe porque percebe com o passar dos dias que sempre que o faz deixa de ter fome ou também por exemplo, quando algo lhe toca na bochecha, o bebé vira a cabeça e abre a boca.
​O cérebro do bebé vai-se desenvolvendo com a estimulação que recebe do meio ambiente, muito por conta dos seus sentidos. 
É nestas experiências precoces iniciais que a razão emoção tomam lugares basilares na formação enquanto pessoa.
​Assim, é necessário compreender o bebé, passar tempo de qualidade com ele e acima de tudo, brincar com ele. 
​O tempo passado com o bebé é de importância extrema e há uma frase, que gosto particularmente de citar e aplicar a esta necessidade de tempo de qualidade com o bebé ou criança. ​Retirada da clássica obra O Principezinho, de Antoine Saint-Exupery, a frase: 

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante."

Sugere e dá imagem ao valor de estar com o outro com qualidade e sucesso. ​
​Cada bebé é um bebé, é único, não há nenhum outro igual, com o seu tempo e exigências próprias, por isso cair em comparações relativas ao bebé do lado é estar a entrar na ansiedade desnecessária. 
BEBÉ E OS SENTIDOS
Os sentidos dos bebés vão sendo aprimorados com o passar do tempo e é maravilhoso ir assistindo ao ganhar da perceção gradual. 

Um privilégio que deve ser encarado com a gratidão do momento único que é o mesmo. ​As experiências sensoriais e as interações sociais que o bebé estabelece com o meio ambiente promovem as suas capacidades cognitivas. 

A aprendizagem vai sendo elaborada precisamente através dos sentidos. 
​Quando nasce, o bebé recebe uma espécie de explosão de estímulos deste novo mundo exterior, estímulos fortes para o cérebro captados através dos sentidos. 
​Vale assim a pena fazer uma pequena digressão por cada um dos sentidos. Uma viagem pequena na busca da importância e consciencialização de cada um deles ao nascer.
VISÃO
Quando nasce o bebé vê a uma distância entre vinte a trinta centímetros e ao fim de um mês consegue já ver até um metro de distância. 

O sistema visual do bebé fica mais integrado por volta das oito semanas, fica com a chamada visão estereoscópica, ou seja, as imagens dos dois olhos chegam numa imagem única às partes corretas do cérebro e aos dois meses conseguem distinguir características de uma cara. 

A atividade estimulante da visão é importante no seu desenvolvimento visual e os neurónios relativos à visão formam-se nos primeiros meses de vida. Assim, a visão é um dos sentidos menos desenvolvido à nascença.
​Uma forma de estimular este sentido visual com tempo, calma e paciência, acima de tudo sem pressa porque é normal e esperado a visão ir sendo aprimorada com o tempo, é usar brinquedos coloridos e adequados a cada etapa. 
​À medida que o cérebro processa a informação visual, as luzes, formas e cores começam a formar um quadro lógico e a refletir o mundo real. Por volta dos três meses, o bebé consegue distinguir cores e formas e logo aos quatro já identifica o rosto da mãe. 
Mais tarde, por volta dos sete ou oito meses este sentido está praticamente desenvolvido na sua totalidade. 
TACTO
O toque no bebé é muito importante, ajuda-o a sentir-se seguro, confortável e assim ajuda também no desenvolvimento do seu cérebro. 

Por isso, o toque com amor, com carinho, com gosto e disponibilidade é crucial para que o bebé se sinta seguro e isto irá permitir-lhe ser um bebé mais confiante e por consequência, mais tarde será mais autónomo e independente. 

Uma das primeiras necessidades do bebé extrauterino é precisamente o toque. O bebé vai necessitando de se sentir unido com a mãe, não só mas também, a importância do pele a pele na vinculação, no sentimento de coesão com a mãe neste novo mundo exterior. ​A pele é o maior órgão sensorial, assim o toque carinhoso do pai e da mãe transmitem segurança emocional ao bebé.
Quanto maior a variedade de experiências tácteis, mais familiarizado com o ambiente em redor ele ficará.
AUDIÇÃO
audição é o sentido mais aprumado no bebé. Quando nasce tem já a capacidade auditiva muito bem adaptada porque o córtex auditivo está já nesta fase totalmente desenvolvido. 

No último trimestre de gestação, o feto está habilitado a distinguir sons, não os entende, mas distingue entre vozes e música, por exemplo, o que irá ter impacto em algumas memórias implícitas. ​​Esta capacidade permite ao bebé sentir-se mais seguro quando já cá fora, ouve a voz da mãe. ​Os sons são estímulos muito importantes. 

Com o tempo, a localização dos sons também fica mais aprimorada e o bebé consegue desde muito cedo, com poucos meses, associar uma voz irritada a uma expressão facial aborrecida. ​
Os sons são muito importantes no desenvolvimento do bebé, por isso vale a pena brincar com sons diferenciados, vozes, ruídos e brinquedos com sons. 
​Na segunda parte deste artigo, serão apresentadas brincadeiras estimulantes com sons para que a aprendizagem e o desenvolvimento sejam mais facilmente elaborados.
OLFATO
olfato é um sentido muito desenvolvido logo à nascença. É tão desenvolvido que compensa de certa forma, o sentido visual, que como falámos anteriormente, é ainda muito imaturo nesta etapa. 

Assim, através do olfato o bebé estabelece a incrível proeza de detetar o mundo novo extrauterino antes mesmo de as tentar focar com a visão. Não é incrível?! 

odor da mãe é reconhecido com alguma facilidade logo ao nascer, assim, a sensação de segurança na presença da mãe é assegurada também por esta via. 
​Este sentido tem uma importância enorme na associação de estímulos ao mundo em redor e é muito desenvolvido desde logo, no entanto, à medida que os outros sentidos se vão desenvolvendo e aprimorando, o sentido do olfato diminui de qualidade. 
É ainda pouco esclarecido porque razão isto acontece mas provavelmente, este facto prender-se-á com, na era moderna, este sentido não ter já tanta importância ao nível do desenvolvimento e sobrevivência como o sentido da visão e da audição. 
PALADAR
O paladar, ao nascer, é um sentido com uma ligação ao líquido amniótico muito grande. 

Assim, se a mãe durante a gravidez comia com grande frequência determinado alimento, é muito habitual o bebé reconhecer esse sabor durante a amamentação se também nesta fase a mãe o ingerir.

A fase oral que se estabelece desde o nascimento até aos dois anos de idade, é a primeira fase. 
​Muito ligada à energia interna, à líbido, é aqui que o cérebro do bebé inicia a aprendizagem do prazer, compreendendo-o precisamente pela boca. 
​Funciona assim, como um contacto importante com o mundo exterior. 
​É também através da boca, que nesta fase se forma a segurança física e psicológica.
Novos alimentos são importantes nesta descoberta constante do mundo.
​Quando o bebé prova algo novo está a desenvolver o paladar mas está também a compreender melhor o mundo, está a ser exposto a novos estímulos, está portanto, a enriquecer-se ao nível do desenvolvimento.

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