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Relacionamentos Tóxicos: Aprenda a identificar os perfis destrutivos

“De todas as formas de cautela, cautela no amor é talvez a mais fatal para a felicidade verdadeira.”

Um relacionamento tóxico nem sempre é fácil de identificar. Todos os relacionamentos passam por altos e baixos, no entanto, um relacionamento tóxico é consistente em violência psicológica, conduz a vítima a duvidar das suas próprias memórias, percepções e julgamentos. Num relacionamento tóxico os momentos negativos superam os positivos.

Este tipo de relacionamento é prejudicial para a saúde mental, emocional e, muitas vezes, acaba por afetar a saúde física. É preciso lembrar que um relacionamento tóxico não é apenas amoroso. Pode ser de caráter familiar, profissional e social.

O assunto acerca de relacionamentos tóxicos tem tido cada vez mais notoriedade na nossa sociedade, o que veio ajudar as vítimas a tomarem coragem de expor a situação. No entanto, a tomada de consciência que se está num relacionamento tóxico não é um processo fácil. Por esta razão é essencial identificar alguns sinais de que algo está errado na relação.

Um dos principais sinais ocorre quando o agressor utiliza ofensas, humilhações, ameaças, para comunicar à vítima de que as percepções, pensamentos e sentimentos estão incorretos ou inadequados.

A vítima começa a sentir-se cada vez mais debilitada emocionalmente, há uma diminuição de autoestima e deixa de controlar as suas acções/ comportamentos, chega até mesmo a duvidar das suas próprias crenças acabando por afetar a saúde mental, de forma direta ou indireta. A vítima começa-se a sentir humilhada e diminuída com as agressões, e como consequência dessa violência pode desenvolver perturbações de ansiedade, depressão pânico e stress pós traumático.

Na maioria das vezes, a vítima começa por se afastar do meio envolvente, amigos, família, colegas de trabalho, ou seja, daqueles que lhe são mais próximos. Na generalidade, mantém este tipo de relacionamento com medo e vergonha que os entes queridos se apercebam da própria realidade. É aqui, que o parceiro ganha força e passa a ser a única pessoa que apoia, compreende, valoriza e que diz que a vítima é a pessoa mais importante da vida dele, que não consegue viver sem ela, passando a ser o único que a entende – Fá-la acreditar que nunca vai ser tão amada.

Neste momento, o estado de vulnerabilidade da vítima é cada vez maior, começam a surgir várias problemáticas como a imposição de limites, o autorespeito, a baixa autoestima e autoconfiança. É aqui que os agressores ganham poder e conseguem fazer com que as vítimas se mantenham no relacionamento. Elas sentem-se culpadas e questionam-se dos próprios abusos.

Na generalidade, estamos perante uma personalidade narcisista, sendo extremamente manipuladores e especialistas a fazerem acreditar a quem os rodeia que são as vítimas para sentirem compaixão por estarem a ser injustiçados.

O nome disso é abuso psicológico. Por vezes, tem consequências tão graves ou ainda piores que a violência física.

O abuso psicológico ocorre quando uma pessoa está num relacionamento e tenta controlar a outra, começa por manipular a percepção que tem sobre si mesma , distorcendo a realidade.

Este tipo de relacionamento tem um forte impacto na autoestima. A vítima começa a sentir-se impotente e cada vez com menos esperança.

TORNA-SE CADA VEZ MAIS DIFÍCIL SAIR DE UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

Muitas vezes os que estão mais próximos das vítimas, tendem a dizer: “a pessoa pode sair da relação basta querer”; ou “só mantém a relação porque quer”; isto apenas vem reforçar a culpa, as dúvidas, as inseguranças, acabando por a deixar com menos esperança de conseguir sair da relação.

Este tipo de abuso psicológico é muitas vezes referido como gaslighting. É uma forma de manipulação psicológica, foca-se na destruição da autoconfiança, a vítima começa a duvidar de si própria, sente-se instável, irracional, não confiável, essas pessoas acreditam que o que estão a fazer não é real.

Muitas vezes sentem-se muito confusas, loucas e constantemente a desculparem-se perante os outros acabando mesmo por se questionarem: “Porque é que não somos felizes?”

No fundo apercebem-se que algo está errado mas com muita dificuldade em sair da relação. Começam a surgir os problemas na tomada de decisão.

Nestes casos a sanidade mental da vítimas já está debilitada, pois todos estes sintomas levam a perturbações ansiosas, depressivas e de baixa autoestima.

No gaslighting o agressor está constantemente a fazê-la duvidar a insultar em tom de brincadeira colocando a vítima como o elemento de inferioridade.

Os agressores aproveitam-se deste tipo de pessoas para continuarem a violência psicológica que causa danos irreversíveis.

A carência e a dependência emocional é tão grande que a própria vítima tem como mecanismo de defesa recalcar os momentos maus até mesmo traumáticos e apenas permanecem os bons momentos.

Afinal porque é que as vítimas de relações tóxicas se mantêm neste tipo de relações?

Este é um ponto fulcral, as vítimas mantêm-se neste tipo de relações por já terem passado por muita violência psicológica, com isto, acabam por procurar relações tóxicas e acabam por manter as relações pela dependência emocional.

Sugestões para identificar se és vítima gaslighting:
  • Negação da realidade;
  • Constantes questionamentos acerca da tua pessoa: “será que sou és uma pessoa sensível?”;
  • Exaustão mental: “será que estou a ficar louca?”;
  • Sentimentos de culpa, pedidos de desculpa ao parceiro constantes;
  • Constantes pensamentos de vitimização;
  • Frequentemente arranjar desculpas para a família, amigos ou até para si mesmo acerca do comportamento do agressor;
  • Distorção da realidade;
  • Sentimentos de inferioridade e insegurança;
  • Baixa autoestima, autoconfiança e autocontrolo;
  • Dificuldade na imposição de limites;
  • Confusões de memória.

Conte connosco para o ajudar neste processo. Convido-o/a a marcar uma consulta. Estou aqui para apoiar e acompanhar neste processo!

Dra. Filipa Abecasis

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