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Término de uma relação: Pode-se morrer de coração partido?

Pode-se morrer de coração partido? A resposta é sim, mas é muito improvável. 
Existe uma condição médica chamada miocardiopatia de takotsubo ou Síndrome do Coração Partido, que é um tipo de miocardiopatia  em que há um enfraquecimento repentino e temporário do miocárdio
Este enfraquecimento pode ocorrer devido a um grande stresse emocional (sendo que na grande maioria destes casos, esta condição é reversível).
No entanto, quando ouvimos falar em coração partido associamos normalmente a um término de relação, a um desgosto de amor. 
término de uma relação constitui um evento stressante das nossas vidas, e tem no nosso cérebro uma reação semelhante ao luto na medida em que temos pensamos intrusivos, disfunção do sistema imunitáriofalta de apetiteinsónia etc.
Tem também características semelhantes à dependência, porque o estar com a pessoa envolve os neurotransmissores do sistema de recompensa, e ao acabar é como se tivéssemos em abstinência. 
Se está a ler isto, provavelmente já sentiu algumas destas coisas. 

Então desenvolvemos mecanismos como o medo e a dor adaptativa que nos incentivam a fazer algo para manter e melhorar as nossas relações. 

autoestima
Uma vez que a maioria das pessoas quer uma ​explicação à altura do seu sofrimento, acabando por não se contentar com as explicações simples que lhe dão (“já não te amo”).
Pode ser difícil ultrapassar um término de relação, mas existem estratégias que pode por já hoje em prática que o deixam mais perto de ultrapassar o que aconteceu.
Procure cuidar de si, o exercício físico, sono e uma boa alimentação são essenciais para uma mente e corpo saudável. 
Também cuidar da sua vida social, sair com amigos e fazer atividades em grupo, terá uma influência positiva na sua vida e vai ajudar a ultrapassar mais facilmente o que aconteceu.
Neste momento, não pode confiar na sua mente, tem de assumir o controlo. A sua mente vai estar constantemente a pensar na outra pessoa, a idealizá-la, porque é a forma que a nossa mente tem de “curar-nos” – dando-nos aquilo que precisamos, alimentando o nosso vício. 
Isto só torna mais difícil ultrapassar esta fase. 
Uma das estratégias para combater essa idealização é fazer uma lista das coisas menos boas que essa pessoa fazia, como o fazia sentir mal, e quais os seus defeitos. 
Assim será capaz de aceitar melhor, para poder seguir em frente.
Estar sozinho a reviver constantemente o sucedido, e pensar apenas nos aspetos negativos vai mantê-lo numa espiral negativa. 
Ao falarmos com alguém, principalmente alguém especializado como um psicólogo, que irá escutá-lo sem julgamentos, dá-lhe outra perspetiva acerca do acontecimento, acrescenta elementos novos à história e permite concentrar-se em soluções.

O mais provável é que não morra de coração partido, mas também não precisa de passar por essa fase e sofrimento sozinho. No que estiver ao nosso alcance para o ajudar a ultrapassar esta fase e a ter a vida que deseja, conte connosco. 

Dr. João Guedes

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