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Depressão: a doença do século

Antes de começarmos a classificar o que é a Perturbação depressiva, faz sentido contextualizar a realidade portuguesa desta doença. Algo que não se deve subestimar.

Estima-se que Portugal está no top 3 de países europeus com maior prevalência de depressão. Na União Europeia quatro em cada 100 pessoas foram diagnosticadas com depressão. Sendo assim, a depressão pauta-se como uma das doenças psiquiátricas mais globais. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão é uma das principais doenças psicológicas no mundo de hoje em dia.

Torna-se fulcral distinguir o conceito de tristeza e de depressão, pois apresentam diferenças relevantes no diagnóstico. A tristeza acaba por ser um sintoma da depressão, mas o que o distingue é a intensidade, a duração e a frequência. Sendo a tristeza uma emoção universal, todos a sentimos em algum momento, mas acaba por ser passageira, ou seja, é uma reação a algum evento/estímulo.

Quando falamos de depressão, esta constitui uma patologia que pode passar despercebida, uma vez que os seus sintomas podem ser atribuídos a várias causas (como doenças físicas ou stress). Na depressão, as atividades do dia a dia da pessoa são associadas a um sofrimento intenso, o que impacta o estilo de vida da pessoa e os sintomas são persistentes. Para além disso, o quadro depressivo, quimicamente, deve-se à alteração de neurotransmissores de serotonina (5HT), dopamina (DA) e noradrenalina (NA), como costumo dizer, as hormonas do relaxamento, felicidade.

Sintomas mais comuns da depressão segundo o Manual DSM-5:

Humor deprimido ou a perda do interesse ou prazer em grande parte do dia, quase todos os dias. Tem de haver a presença, ainda, de pelo menos 4 dos sintomas seguintes:

  • Desânimo acentuado;
  • Redução ou aumento do apetite;
  • Alterações do sono: hipersónia ou insónia;
  • Sentimentos de culpa e/ou inutilidade;
  • Baixa autoestima;
  • Agitação psicomotora ou apatia;
  • Pensamentos suicidas e pensamentos constantes sobre a morte;
  • Problemas de concentração;
  • Sensação de vazio interior
Causas da depressão:

A depressão resulta de uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos:

  • Uma das causas é que existe predisposição hereditária para alguns tipos de depressão, ou seja, se existe um histórico de doenças mental na família, a probabilidade aumenta para os descendentes.

 

  • Os acontecimentos traumáticos da vida, também contribuem para o aparecimento da depressão, podendo funcionar como estimuladores de episódios depressivos.

 

  • Por fim, o tipo de personalidade e a forma como cada um lida com os problemas associa-se a uma maior ou menor predisposição para a doença.
Tratamento da depressão:

Normalmente, temos a tendência de procurar tratamento já no limite. No entanto, o tratamento é emergente para que a depressão não se agrave mais.

O suicídio é uma possibilidade que não deve ser negligenciada e o tratamento é essencial para reduzir o risco e permitir a melhoria dos sintomas.

Existem diversos tratamentos para a depressão, incluindo-se os medicamentos antidepressivos e a
psicoterapia. De acordo com cada caso, o complemento das duas terapias pode funcionar muito bem e nenhum cria dependência.

De um modo geral, são tratamentos que devem ser prolongados durante um período de tempo significativo, conduzindo à sua eficácia

O prognóstico da depressão é bom e depende essencialmente do tratamento instituído e de um adequado controlo de todos os fatores de risco presentes em cada caso. 

Assim sendo, existe tratamento e esperança para uma vida melhor.

A depressão não é uma frescura e o apoio de familiares e amigos pode ser crucial para a sua cura. Muitos doentes com depressão não procuram tratamento, embora existam formas eficazes de a tratar. Conte comigo para este processo!

Cuide-se.
Ame-se.
A vida vale a pena.

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