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Participação Dr. Bruno Franco no Evento Movi(mente)-se

O dia mundial da actividade física foi dia 06 de Abril e no dia 16 de Março, proporcionado pela incansável dra. Andreia Machado e com um enorme contributo da Câmara Municipal de Portimão, foi realizado o evento Movi(mente)-se, na Biblioteca Municipal de Portimão.

As evidências mostram que os benefícios da prática desportiva e da actividade física para a saúde mental e bem-estar são imensos. Exemplos disso é a melhora significativa nos índices de humor, diminuindo o risco de depressão e ansiedade, e sobretudo a promoção de um estilo de vida mais equilibrado.

Antes de falar em desporto e em saúde mental, é importante definir o que é actividade física e exercício físico. A actividade física é o movimento que origina a contração dos músculos esqueléticos, logo gera um gasto calórico maior que o de repouso.

Assim, actividades simples como andar, escrever intensamente, subir e descer escadas, carregar umas compras quando vamos ao supermercado a pé, passar roupa a ferro, trabalhar em pé, cortar lenha ou tomar conta do jardim (…) são alguns exemplos de formas de dispêndio de energia que podemos considerar actividade física.

O desporto, por sua vez, é o jogo de competição regulamentado, por isso tem regras específicas, com um sistema organizado de movimentos e técnicas corporais, e estimula a competitividade (com o outro ou connosco próprios), a saúde e a sociabilidade. Exemplos de desportos são os conhecidos futebol, basquetebol, judo, esgrima, escalada, padel, natação ou equitação.

O exercício físico, por outro lado, é a actividade realizada para preservar ou optimizar a condição física, geralmente com séries de exercícios que se repetem intencional e periodicamente, numa estratégia de aplicação de forças, numa estrutura e num cenário específico, visando prevenir e potenciar a melhoria da saúde, com a finalidade de proporcionar bem-estar à pessoa. 

E isto o que tem a ver com saúde mental?

Falar de saúde, por norma, remete-nos para a saúde do nosso corpo, em que se estamos saudáveis, estamos isentos de problemas físico e/ou doenças. Mas nisto esquecemo-nos de algo muito mais abrangente nesse tal conceito do bem-estar mental e psicológico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), define a Saúde mental como o “estado de bem-estar, no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress quotidiano, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a comunidade em que se insere”. Podemos, assim, dizer que a saúde mental é o manifesto da qualidade de vida cognitiva, psicológica e emocional, o que vai para lá dos limites da presença ou ausência de uma doença mental.

A sociedade de hoje é uma sociedade cada vez mais exigente e incondescendente. Cada vez mais temos a obrigação do desempenho, a obrigação da realização e do sucesso e cada vez mais parece existir menos tempo – e até arrisco dizer vontade – para investir realmente na formação daquele a quem exigimos tudo isto e muito mais. Ser o melhor.

De facto, parece que cada vez mais, apesar de tudo o que os estudos nos têm gradualmente revelado ao longo das últimas três, quatro décadas, sobre a importância da qualidade de vida e da conexão com a realização dos nossos principais objectivos, a sociedade parece esquecer forçosamente de ensinar como ter essa tão importante capacidade de a pessoa apreciar a vida e encontrar um equilíbrio entre o que realiza e os esforços necessários para concretizar objectivos e superar os desafios. Seja no desporto, seja no exercício físico, seja na mente, seja no quotidiano, esse factor que é a resiliência é talvez dos mais importantes atributos a trabalhar no ser humano.

Resiliência e saúde mental exigem uma conciliação entre os nossos recursos internos e as exigências externas diárias, à fracção do segundo. É esta capacidade que nos permite gerir a nossa própria vida. É a capacidade que nos permite ter controlo. É o que nos permite ser autónomos, estarmos bem emocionalmente e superar o que nos é exigido.

Por outro lado, é o que nos permite conectar connosco, sim, e com quem nos é significativo, desde o campo mais íntimo ao mais distante. Desde o campo familiar, romântico ou dos amigos, ao campo do trabalho, do hobby, do lazer, ao campo do que nos é próximo sem o ser. É o que nos permite estabelecer relações saudáveis, desfrutar, trabalhar, definir objectivos, ser plenos, nesse tão importante estado que é o de ser feliz.

Saúde física e saúde mental estão intimamente interdependentes, uma vez que ao termos a nossa mente desconectada, ferida, confusa, perdida, revoltada ou sem ferramentas para responder aos desafios do agora, o nosso corpo é como se perdesse uma grande percentagem do combustível. O sono disfuncional, a alimentação desadequada, o corpo mais parado, a vontade nula, a rotina quebrada, a vulnerabilidade imunológica, entre outras.

E qual a relação então entre actividade física, exercício físico ou desporto e a saúde mental?

Em resumo, tudo está interligado porque o nosso corpo é um sistema e um sistema é um todo. De facto, a actividade física é fundamental para a estimulação, recuperação, estruturação e desenvolvimento das nossas capacidades físicas e mentais.

A saúde mental pode ser melhorada ou prejudicada em função de um processo chamado metabolismo cerebral. Ouvimos falar muito sobre o que é o metabolismo. Esse processo que quão mais acelerado for, melhor resultado físico e estético teremos. Mas será que é algo tão claro assim?

Em linhas gerais, o metabolismo é um processo que consiste nas várias reacções químicas existentes no organismo, com a finalidade de manter as necessidades estruturais e energéticas do ser vivo, através da síntese e quebra de biomoléculas, da produção de energia e da conversão de moléculas de nutrientes em unidades precursoras de macromoléculas. Em poucas palavras, é o processo que transforma alimentos em energia para que esta máquina fantástica que é o nosso corpo consiga estar saudavelmente preparada para conseguirmos receber informação, pensar e processar a mesma e possibilitar a acção face aos nossos desafios diários. 

Um dos termos que ouvimos falar também bastante é a taxa metabólica basal, sendo esta o mínimo de energia necessária para que o organismo consiga realizar as suas actividades básicas em repouso, como, por exemplo, o ritmo cardíaco e a respiração. O que define o estado metabólico basal é o peso corporal porque carregar o nosso corpo exige energia e, por isso, esta taxa varia de pessoa para pessoa, uma vez que o dispêndio energético depende, entre outros factores, da idade, sexo e intensidade da actividade habitualmente realizada pela pessoa.

Porém, podemos dizer que existem tantas categorias metabólicas quanto órgãos do nosso corpo, porque cada um sintetiza energia. Então, o metabolismo cerebral, que, como o nome indica, nos remete para este órgão tão importante que é o cérebro, é um dos metabolismos mais afectado pela actividade física.

Apesar de representar uma pequena percentagem de 2% da massa corporal, o cérebro humano é o segundo órgão, depois do fígado, a consumir mais energia no nosso corpo, precisando de cerca de 60% de glicose e cerca de 20% de oxigénio disponíveis no nosso sistema. Desde que nascemos e até aos 6 anos de idade, este número aumenta exponencialmente para que o nosso corpo consiga fazer face ao seu desenvolvimento físico, neuronal, cognitivo, estabilizando aproximadamente aos 15 anos.

De facto, o cérebro é composto por células, chamadas neurónios e esses neurónios têm mitocondrias que fazem metabolismo aeróbico, trabalhando praticamente o dia inteiro. Por isso, quando existe uma alteração do metabolismo cerebral, existe um comprometimento da saúde mental.

Então quais são as principais alterações nesse metabolismo cerebral que disparam os sinais de sintomas de saúde mental mais deteriorada?

Basicamente, três:

  • Redução dos níveis de oxigénio e sangue;
  • Menor quantidade e qualidade de neurotransmissores e de sinapses activas;
  • Disfunção mitocondrial que se vai repercutir na qualidade de energia produtiva e na qualidade de trabalho desse biliões de neurónios presentes no nosso corpo, dando origem aos sintomas da ausência da saúde mental.

Entre vários factores, a realização de actividade, seja ela qual for, seja ela com que intensidade for, vai promover o aumento da temperatura muscular que, por sua vez, vai gerar maior temperatura corporal, que, por sua vez, vai permitir a vasodilatação. Consequentemente, a circulação sanguínea cerebral vai promover um aumento da vascularização cerebral e a melhoria da oxidação neuronal, permitindo uma receptividade de energia no cérebro e um melhor metabolismo corporal, o que incorrerá numa melhor percepção de bem-estar e na potencialização do metabolismo cerebral.

Com este aumento, surge o processo de neurogénese, que consiste no aumento de neurónios e, consequentemente, de sinapses no cérebro, com ramificações nervosas, cujas ligações entre neurónios, quando em disfunção, não estavam activas. Assim, a quantidade de neurotransmissores aumenta, como, por exemplo, a dopamina, a adrenalina ou a noradrenalina, a serotonina, a endorfina, a oxitocina e a norepinefrina, e surge essa tão fundamental sensação de bem-estar.

O que posso então fazer para promover a saúde mental?

Activar este metabolismo e sair do repouso e do sedentarismo.
Mas como?

Ter atitudes positivas em relação a si mesmo. Você é o seu melhor amigo, é quem melhor deve conhecer a si mesmo. Então é fundamental estar atento às suas emoções, às suas necessidades, educando-as o melhor que conseguir;

Fomentar o seu crescimento, desenvolvimento e realização pessoal é imperativo. Nutrir a nossa mente e o nosso corpo é super importante. O autocuidado deve ser uma constante nas nossas vidas.

Não ter medo de pedir ajuda. Estarmos presos às nossas crenças, aos nossos medos e dilemas, aos nossos desafios e às dificuldades inerentes à mudança, gera resistência, fere a saúde mental e acaba destruindo não só o nosso corpo como o nosso caminho, as nossas oportunidades, os nossos objectivos.

Priorizar o ambiente interno, respeitar quem é. Para uma melhor integração e regulação emocional, é importante o primeiro passo do cuidado do eu, muitas vezes em sofrimento e esse sofrimento nada é se não a escolha dependente das variáveis que temos à nossa frente. Do outro lado da porta, existem biliões de oportunidades nunca antes consideradas sequer, em grande parte, precisamente por esse potencial elevadíssimo índice de sofrimento. Dar a oportunidade para aprender caminhos alternativos e sobretudo valorizar as suas necessidades é o primeiro passo para o sucesso seja qual for o seu caminho.

Ser realista. Se de facto o sonho e a estrutura do eu são cruciais para o nosso desenvolvimento, ser realista é estar conectado com o caminho certo.

Dominar-se. Estar no controlo de quem é e do que se passa. Agir, investir, ser.

Pois é, mas como? Tire tempo para descansar, com pequenos intervalos ao longo do dia, nos quais possa descomprimir e aproveitar 5 minutos para si e priorize o sono;

Leia mais. Os livros contêm experiências, ideias, possibilidades e perspectivas. São excelentes ferramentas para contornar os seus dilemas. Existem inclusive livros de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal. Auto-cuidar-se é crescer e possibilitar mudança.

Seja grato e conecte-se a algo que lhe faça sentido. Invista na possibilidade de explorar algo novo ou retomar algo antigo de que tanto gostava.

Medite. Medite num espaço que lhe faça sentido ou da forma que melhor se adapte a si.

Escreva. Escreva um diário. Registe os seus objectivos. Partilhe as suas conquistas e explore as possibilidades.

Alimente-se bem. É fundamental a energia no nosso corpo, no nosso cérebro, na nossa vida. É o que move tudo, é o que torna tudo possível. Equilibre o que come e experimente coisas novas. Esteja conectado com as suas necessidades nutritivas.

Mexa-se. Pequenos exercícios fazem grandes mudanças. Estar 2 horas num ginásio não só pode ser contraproducente, como pode comprometer imenso a sua rotina. Além de que nem sempre o ginásio é a resposta. Por vezes, experimentar aquela actividade que sempre pensou em experimentar pode trazer as mudanças que tanto ambiciona e ajudá-lo a superar esses medos de falhar e não conseguir ter esse tão esperado sucesso.

Seja simpático, considere o outro e o ambiente envolvente. Conecte-se.

Passe mais tempo no exterior, sinta-se em contacto com a natureza e aqueles que mais ama.

Proteja-se das actividades que o drenam diariamente e que não acrescentam nada à sua vida se não essa falsa sensação de prazer e bem-estar, como, por exemplo, fazer scroll numa aplicação ou ir a sítios que o deixam substancialmente afectado.

Imponha-se limites. Diga não ao que não lhe acrescenta e sobretudo ao que tanto o prejudica.

Trabalhe em si. Explore-se, reflicta, invista. A ajuda de um psicólogo ou de um coach poderá ser uma mais valia neste seu caminho, mais do que de mudança, de transformação e sobretudo de crescimento.

Natureza subjetiva

Uma das melhores maneiras de crescer e melhorar substancialmente quem somos é tendo ajuda. Ter ajuda profissional permite-lhe ter um melhor acesso a si mesmo para se conseguir ver com maior clareza e perceber quem de facto o acrescenta nessa sua tão valiosa jornada.

Psicólogos e coaches da Learn2Be sabem como o ajudar a desbloquear o que está a impossibilitar de ser melhor, dando-lhe uma melhor perspectiva sobre si mesmo e sobre a importância do seu investimento pessoal.

Comece já a transformar a sua vida!

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