O sentido da vida requisita a ação que busca alcançar algo. O amor da mãe e do pai, a chucha, o pequeno brinquedo, a aprovação dos outros, a inclusão no grupo de amigos, a graduação académica, o amor de um parceiro, o emprego de sonho…
Alcançar aceitação, amor, confiança, sentido de competência, realização, independência são objetivos fundamentais que dão sentido à vida. Todos eles muito importantes. Contudo, se existe algum mais importante que os outros, terá de ser o de sentir o amor pois ele faz nascer e crescer todas as propriedades que existem na nossa mente.
Não tê-lo, ou perdê-lo, pode deixar uma pessoa na tristeza lancinante, no desamparo, na descrença, anulando a sua vontade de agir em busca de novo amor, de expetar a possibilidade de renovação.
Embora ela seja uma componente da vida, porque todos rejeitamos e somos rejeitados, ela adquire frequentemente um supra valor que atormenta a felicidade de quem a prova. Ficar mais protegido da dor/medo da rejeição exige compreender dois aspetos fundamentais.
O primeiro deve estar centrado no comportamento da pessoa. O que existe dentro de mim que me leva a ter medo da rejeição e deixar-me dominar por isso? ou a colocar-me repetidamente numa atitude relacional que favorece a rejeição do outro?
Cada pessoa transporta uma tendência para se relacionar com o parceiro que vai afetar significativamente o curso da relação. A forma como a pessoa estabeleceu as suas primeiras ligações afetivas, com os seus cuidadores, influencia significativamente a maneira como se sente e se posiciona nas ligações afetivas íntimas, particularmente nas ligações amorosas.
Este padrão atitudinal é marcado por uma espécie de ADN emocional que orienta a pessoa para a repetição de comportamentos que problematizam a relação, por exemplo expressando desconfiança ou dependência excessiva do parceiro. Mesmo quando o referido padrão já conduziu a pessoa a ruturas, ela não o para de repetir pois está a responder à programação do seu ADN emocional.
O segundo aspeto consiste na forma de significação do comportamento do parceiro, a qual também é determinada por padrões antes formados. A herança emocional também influencia significativamente estes padrões. A tendência para sentir desamor, desaprovação, desconexão, abandono, desrespeito, ausência de suporte, existe previamente em algumas pessoas pelo que dificilmente o parceiro não a fará sentir algum ou vários desses sentimentos.
Ser aceite, estar conectado e/ou incluído, sentir o amor do outro, são ingredientes absolutamente vitais para a felicidade e equilíbrio. Compreender quem sou, como são os meus padrões de ligação afetiva a outras pessoas, que sentimentos me assaltam a mente quando estou numa relação amorosa, são condições absolutamente decisivas para as pessoas melhorarem a qualidade das suas relações e da sua vida.
O trabalho de compreensão exige uma autoanálise suficientemente efetiva para gerar autoconhecimento e, preferencialmente, alguma transformação. Todas as pessoas podem beneficiar de alguma transformação que resulta em desenvolvimento pessoal. Ficarem mais conscientes de quem são, mais eficientes a lidar com as suas vulnerabilidades, mais positivos na construção de uma realidade complexa que é a relação amorosa.
O processo de autoconhecimento e transformação requisita o olhar de um outro especializado no funcionamento da mente e do comportamento humano que nos ajuda de forma eficaz a vermos a imagem de quem realmente somos. Olhe para si com coragem, veja o que tem de ser visto, ouse aceitar a vulnerabilidade e transforme as suas forças.
Dr. Jorge Ferreira