A autossabotagem, é um comportamento que nos impede a realização dos nossos objetivos. Este comportamento não é uma escolha consciente, mas sim um hábito, em que a pessoa não compreende porque algumas das suas ações originam resultados negativos na sua vida.
Acreditamos que somos nós que decidimos as nossas ações e que tomamos as decisões da nossa vida. Contudo, esquecemo-nos que essas decisões são baseadas nas nossas experiências, aprendizagens e no nosso inconsciente. Trata-se de estratégias automáticas produzidas pela nossa mente e que podem prejudicar e limitar a nossa vida, comprometendo a nossa felicidade e deste modo afetando o contexto emocional, social, familiar e espiritual.
A nossa mente pode ser uma ferramenta incrível, e quando é usada de forma correta facilita a nossa vida, através de generalizações, processos automáticos e classificações. Contudo, quando a usamos de forma incorreta provocamos na nossa vida o desequilíbrio e desarmonia, destruindo a nossa felicidade e impedindo viver de forma plena. Este processo denominamos na Psicologia de Crenças Disfuncionais e estas estão divididas a três níveis:
Crenças Centrais: conceito que a pessoa tem de si independentemente do que aconteça. Normalmente, vemos esses conceitos em frases negativas sobre si. Faço tudo errado, nada que faço dá certo, etc. Estas crenças centrais dão origem a crenças intermediárias e pensamentos automáticos. São crenças que foram criadas desde a infância e é a forma que a pessoa acredita ser. Se essas crenças são negativas, isso gera comportamentos que são compatíveis com essas crenças.
Exemplo: “se acredito que o dinheiro que ganho é suficiente, posso enfrentar situações de nunca conseguir juntar algum dinheiro”;
Crenças Intermediárias: são sistemas de crenças baseados numa causa, “se =>então”.
Exemplo: eu posso estar a tentar aprovar um projeto profissional e ter um pensamento: “se este projeto não for aprovado, significa que eu sou incompetente”, ignorando outras variáveis possíveis como, o projeto não foi aprovado não porque sou incompetente, mas porque aquele podia não ser o momento certo para o apresentar.
Pensamentos Automáticos: são pensamentos superficiais que afirmam a realidade, e que ao serem negativos, promovem sofrimento e angústia. Trata-se de pensamentos que se encontram no nível abaixo da superfície da mente consciente. Alguns pensamentos automáticos negativos: Rotulação; Catastrofização; Abstração Seletiva; Vitimização; Generalização.
Exemplo Generalização: “porque tive uma má experiência com alguém, acredito que ninguém é de confiança”.
É comum identificarmos alguns destes pensamentos em nós, se já identificou algum, anime-se! Existem estratégias que o/a podem ajudar a desconstruir estes pensamentos e viver de forma mais leve.
Vamos então falar sobre algumas estratégias para eliminar a autosabotagem:
Resgate a sua Consciência: É o nosso instrumento mais poderoso e se o conseguir entender de forma profunda, possivelmente não precisará de aplicar os outros, pois irão surgir na sua mente de forma natural. A consciência é a qualidade que temos de observar os nossos próprios pensamentos. Todo o ser humano é capaz de o fazer, de pensar sobre o próprio pensar. Contudo, grande parte de nós não gosta de pensar sobre o que faz e sobre nossos próprios processos internos. A grande maioria ignora que são os seus pensamentos que produzem a sua realidade e acredita que o mundo externo é responsável pela sua infelicidade. Os pensamentos provocam emoções, que promovem ações e produzem resultados. Aumentar a consciência é imprescindível para quem deseja ser realmente feliz. Deve por isso ter atenção às suas emoções e às respostas emocionais automáticas que elas provocam. Coloque questões a si mesmo/a: “Como reajo quando alguém não concorda comigo? “Qual o meu comportamento quando alguém me ofende?”
Quanto mais inconscientes estamos, menos pensamos sobre as nossas emoções e pensamentos, menos nos observamos e menos nos conhecemos verdadeiramente. Não há como ser feliz sem nos conhecermos. Questionar as suas emoções, promove maior consciência sobre si mesmo e sobre as suas próprias emoções e pensamentos. Quando sentir uma emoção, em vez de apenas expressá-la, questione-se porque a sente, lembre-se que as emoções têm origem nos seus pensamentos e são criados pelo seu padrão mental.
Aceitação de si mesmo Depois de conhecer essas emoções e sentimentos, é importante aceitá-los. Quem nega a si mesmo os sentimentos negativos, nega também a oportunidade de os modificar. É importante aceitar a parte que nega a si mesmo.
A sombra são as emoções e sentimentos negativos que temos, mas que negamos a nós mesmos. Como se não fosse correto ter esse sentimento ou emoção. Assim não conseguimos descobrir a origem dessa emoção. A capacidade de aceitação gera em nós o autoconhecimento, e isso é fundamental para encontrarmos o nosso propósito maior, pois muitas vezes, o nosso maior poder reside na nossa sombra, e quando não o aceitamos acabamos por nos sabotar. Diminuindo a nossa confiança e aumentando a nossa ansiedade. Por isso sempre que sentir um sentimento negativo, entenda que ele é apenas o reflexo de algum padrão, ele não é o que o define.
Responsabilidade Todos nós vivemos numa constante incerteza das situações. As coisas alteram de forma muito rápida nas nossas vidas. Quando ocorrem problemas na nossa vida possuímos várias formas de reagir, mas de forma resumida, ou nos vitimizamos ou nos responsabilizamos. O primeiro é mais fácil de utilizar e muito mais cómodo. Nada melhor do que culpar alguém ou algo, pelos nossos insucessos. Não assumir responsabilidades e convencer todos, inclusive a si mesmo, que é apenas uma vítima da situação e que nada pode fazer face aos acontecimentos. Este tipo de atitude, retira das nossas mãos o poder de mudança, e a força para criar uma nova realidade na medida em que colocamos a responsabilidade no outro ou em alguma coisa que foge ao nosso controlo. Se retiramos o poder das nossas mãos não temos como fazer para mudar a situação na qual nos encontramos. É mais sábio assumir a responsabilidade, por mais difícil que seja aceitá-la. Assumir a responsabilidade pelo o que nos acontece, compreende que somos responsáveis pelas nossas escolhas, que não importam os acontecimentos, mas sim a maneira como agimos face a eles. Escolher ser responsável pela sua própria vida, coloca o poder nas suas mãos. Quando fazemos essa escolha demonstramos coragem por assumirmos a nossa parte de responsabilidade na situação. Compreendemos que, seja qual for a situação, possuímos a capacidade de modificá-la. É por isso necessário fazer uma análise de como nos comportamos nas situações às quais somos sujeitos.
Agimos como vítimas ou somos afinal donos do nosso próprio destino? Pode ser mais difícil ser o dono do nosso próprio destino, pois isso implica responsabilizarmo-nos por tudo o que nos acontece de difícil na nossa vida. Porém, não existe nada mais libertador!
Mudar as suas ações, pensamentos e atitudes, permite-lhe mudar a realidade à sua volta. Entender este conceito pode ser fácil, mas colocá-lo em prática tem a ver com observar os seus comportamentos, verificar quais estão produzindo coisas positivas e quais estão a originar situações negativas. Reflita que nada acontece na nossa vida por acaso, somos nós os criadores da nossa realidade, seja para o bem ou seja para o mal.
Colocar a responsabilidade no outro é excluir a nossa parcela de responsabilidade. No entanto, podemos sempre mudar, encontrar uma nova postura que contemple a responsabilidade como uma de nossas virtudes. Não devemos negar a responsabilidade da nossa vida, devemos sim assumir as rédeas do nosso destino, ser aquele que entende que pode mudar qualquer situação, quando muda a forma de agir sobre ela.