[language-switcher]

Segurança interna. O que é? Como se conquista?

Sinta-se segura numa relação

Gostar de outra pessoa é uma experiência de vulnerabilidade e muitas vezes repleta de desafios. Namorar alguém é emocionante, mas também pode provocar muita ansiedade, especialmente se não nos sentirmos seguros.

Talvez já tenha sentido ciúmes exagerados, talvez já tenha se focado demasiado nas pequenas coisas que o seu parceiro(a) faz (ou não faz), talvez os seus medos e receios já foram ou são cada vez maiores e talvez sinta que precisa de confirmar as suas dúvidas a todo o instante. Talvez já fez coisas irracionais, talvez pareça que não consegue parar de se preocupar com o estado da relação e com o sentimento que o seu parceiro(a) tem por si, e isso pode ser um sinal de que não tem segurança no seu relacionamento.

Talvez já tenha experimentado isso como sendo uma pessoa insegura ou por estar numa relação com uma pessoa insegura. Ou até já experimentou das duas formas, em relacionamentos diferentes.

Insegurança

Claro que esses não são os sinais de relacionamentos mais saudáveis, mas o verdadeiro problema é quando esses comportamentos se tornam em hábitos, repetindo-os várias vezes como uma estratégia para se sentir segura.

Essa insegurança pode ter várias causas, talvez seja devido às suas experiências de vida, talvez a coisas que aconteceram no relacionamento atual ou talvez seja o seu estilo de vinculação.

Mas o que é isso do estilo de vinculação?

A teoria da vinculação (Bowlby, 1969), designa três estilos de vinculação principais, isto é, maneiras pelas quais as pessoas percebem e respondem à intimidade nos relacionamentos, que se assemelham aos estilos de vinculação encontrados em crianças: Seguro, Ansioso e Evitante.

Basicamente, as pessoas com um estilo de vinculação segura sentem-se confortáveis ​​com a intimidade e geralmente são próximas e amorosas. Pessoas com um estilo de vinculação ansioso, anseiam por intimidade, estão muitas vezes preocupadas com os seus relacionamentos e tendem a se preocupar muito se o sentimento é recíproco. Pessoas com um estilo de vinculação evitante, comparam a intimidade com a perda de independência e tentam constantemente evitar ou minimizar a proximidade.

E de onde vêm os estilos de vinculação?

Os estilos de vinculação na idade adulta são influenciados por uma variedade de fatores, um dos quais é a forma como os seus pais cuidavam de si (Se os seus pais foram sensíveis, disponíveis e recetivos, provavelmente deve ter desenvolvido um estilo de vinculação seguro, deve ter uma base segura para explorar o mundo. Se eles foram inconsistentes na resposta, deve ter desenvolvido um estilo de vinculação ansioso. Se houve ausência de resposta, se foram distantes e rígidos, provavelmente desenvolveu um estilo de vinculação evitativo), mas outros fatores também contam, incluindo os nossos genes e experiências de vida.

São estes estilos de vinculação que vão influenciar a sua visão de intimidade, a maneira como lida com o conflito, a atitude em relação ao sexo, a capacidade de comunicar os seus desejos e necessidades e as suas expectativas em relação ao seu parceiro(a) e relacionamento. E também à sua vida em geral.

Por outro lado, se nos faltar essa sensação de segurança, se não tivermos a certeza que a pessoa que amamos, realmente acredita em nós e nos apoia e estará lá para nós quando mais precisarmos, acharemos muito mais difícil manter o foco e viver a vida que desejamos. Quando sentimos que o nosso parceiro(a) é confiável ​​e nos faz sentir seguros, podemos voltar a nossa atenção para todos os outros aspetos da vida e ser bem sucedidos.

Um estilo de vinculação ansioso ou evitante, pode ser frustrante. Muitas vezes, torna-se difícil desfrutar do relacionamento porque está muito ocupada a preocupar-se com coisas que podem dar errado. Trabalhar no desenvolvimento de um estilo de vinculação mais seguro pode ajudar. Converse com o seu parceiro(a) sobre o que ele pode fazer para apoiá-la e considere procurar ajuda de um psicólogo. A terapia de casal é uma forma eficaz para avaliar o seu estilo de vinculação e para ambos desenvolverem novas maneiras de responderem juntos às inseguranças.

Dr. João Guedes

Referências Bibliográficas
  • Bowlby, J. (1969). Attachment and loss: Vol.1. Attachment. New York: Basic Books.

  • Bowlby, J. (1973). Attachment and loss: Vol.2 Separation: Anxiety and anger. New York: Basic Books.

  • Bowlby, J. (1980). Attachment and loss: Vol.3. Loss: Sadness and depression. New York: Basic Books

Artigos Relacionados

Exercício físico: um aliado no processo terapêutico

A busca por uma vida saudável tem vindo a ganhar cada vez mais relevância na sociedade atual, principalmente após o...

Porque é tão difícil largar as redes sociais? O cérebro tem uma explicação

Se alguma vez disseste: “Vou só ver cinco minutos” …e acabaste por perder quase uma hora a fazer scroll, não...

Estamos todos viciados nas redes sociais? A resposta pode não ser tão simples.

“Vou só ver uma coisa rápida” Provavelmente, todos nós já dissemos esta frase. Abrimos o Instagram apenas para responder a...

O teu corpo sabe mais do que imaginas!

Já reparaste que, quando estás com ansiedade, os ombros sobem? Que, quando há tristeza, o corpo parece pesar? Que, quando...

O Corpo que Nunca se Cala

Há perguntas que fazemos durante toda a vida. Outras nunca chegam verdadeiramente a acontecer. Não porque sejam difíceis, mas porque...

O Homem que Ficou para Depois numa Vida que Ficou por Dentro

Junho é o mês da consciencialização para a saúde mental masculina. Habitualmente, este momento leva-nos a falar sobre prevenção, rastreios,...

Discover more from Clínica de Psicologia e Coaching Learn2Be

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading