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Largar as amarras, um desafio obrigatório da nossa viagem pela vida

Desde o nascimento que a (auto)confiança, componente fundamental da nossa capacidade para explorar o ambiente e transformar essa atividade em competências, é feita de um balanceamento entre as oportunidades e os limites simultaneamente oferecidos pela biologia e pelo ambiente social. 

Percorrer o ciclo de vida significa experimentar distintas fases evolutivas correspondentes à combinação possível entre as possibilidades oferecidas pelas nossas capacidades emergentes e as expetativas colocadas pelo ambiente social em que vivemos.

Dito de outro modo, esse caminho vai-se fazendo pela nossa capacidade de responder aos desafios sucessivamente renovados do ambiente social, através da transformação e enriquecimento dessa capacidade.

Então, fazer a viagem da vida implica a transformação das modalidades de compreensão do ambiente e das modalidades de ação sobre ele de forma a ir atualizando a capacidade de adaptação. Quando o bebé transita para a infância, a criança para a adolescência, e o adolescente para a adultez, todos eles enfrentam a necessidade de reconfigurar as suas ferramentas mentais de forma a manterem-se capazes de prosseguir de forma exitosa o desafio da adaptação.

Crescer

Concretizar essa transformação implica “abandonar” as modalidades anteriores de compreensão e ação sobre o ambiente. Porque elas já não são suficientes. Mantê-las é como se fossemos um viajante que guarda materiais prejudiciais ao seu barco, abrindo a porta ao atraso na sua viagem ou, até, a uma vulnerabilidade que pode trazer riscos significativos. Não abandonar esses pesos significa não largar as amarras que nos irão prender a formas insuficientes de relação com o ambiente. 

Quando os humanos não conseguem realizar esta atualização do seu software o confronto com a realidade vai devolver-lhes sinais da insuficiência ou incapacidade das suas ações, mentais e comportamentais. Este feedback negativo traz quase sempre consequências na capacidade percebida e, consequentemente, na autoestima. Ao invés, quando eles conseguem progressivamente adaptar as suas ferramentas atualizando-as aos novos desafios e demandas, injetam a autoestima de uma confiança decisiva para continuarem a viajar em modo seguro. Estar consciente que é preciso largar as amarras e dotar o barco da melhor condição para a viagem bem-sucedida constitui uma decisão inteligente que nem sempre é concretizada.

Existem diversos fatores para que isso não aconteça. As caraterísticas mais ou menos favoráveis do viajante, a sua capacidade de aproveitar as oportunidades fornecidas pelo ambiente, a atitude mais ou menos facilitadora desse ambiente. É importante que, à medida que vão crescendo, os viajantes assumam o controlo do seu barco e explorem as possibilidades oferecidas pela melhor gestão entre as suas caraterísticas e as oportunidades disponibilizadas pelo ambiente.

Barco
A vida é a arte do possível o que significa que somos nós, os viajantes, que temos de garantir o suficiente contributo para alcançarmos o Melhor Possível e, consequentemente, realizamos os nossos propósitos.
Viajante

Praticar a arte do possível é buscar o Bem Maior da nossa vida, a Felicidade. Quando o fazemos estamos a cuidar da nossa autoestima, a garantir a nossa capacidade. Largar as amarras que nos vão manter reféns de modalidades insuficientes para a prossecução dos nossos objetivos, incapazes de alimentar a nossa autoestima e de garantir a nossa Felicidade, tem de constituir um propósito fundamental da viagem da nossa vida. Manter essas amarras significa comprometer o nosso desenvolvimento e adaptação. Ficar preso a elas representa um risco para o nosso Bem-estar e Saúde e, até, para a nossa Felicidade.

Se não consegue sozinho soltar-se dessas amarras não hesite em pedir ajuda a alguém especializado. Seja o melhor de si ao cuidar adequadamente do seu bem-estar.

Dr. Jorge Ferreira

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