A ansiedade é uma emoção natural presente em todos os seres humanos, desde crianças, adolescentes, adultos e idosos, acompanhando-nos de diferentes maneiras nas diversas etapas do ciclo vital.
A ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações percecionadas como ameaçadoras ou desafiadoras, o que origina reações somáticas no corpo e também no cérebro com o objetivo de se “preparar” para enfrentar o problema. Sendo a ansiedade uma emoção normal e inata, quando esta ocorre em níveis moderados, ajuda a focar a atenção e a tomar decisões mais conscientes, contudo quando a duração e intensidade dos sintomas aumenta e é desproporcional, pode prejudicar a vida quotidiana e o bem-estar emocional.
Nas crianças, a ansiedade caracteriza-se por medos intensos e dificuldade em separar-se dos pais, choro frequente e comportamentos de evitamento. Já na adolescência é comum haver preocupação excessiva com desempenho escolar, aceitação social, grupo de pares e o futuro profissional, originando isolamento, irritabilidade e rápidas mudanças de humor. Por fim, nos adultos, a ansiedade tende a manifestar-se através de preocupação constante, dificuldade relacionadas com o sono, tensão muscular, irritabilidade e apresentação de sintomas físicos como taquicardia e problemas digestivos.
Então, o que está por trás da ansiedade
A ansiedade resulta da combinação de diversos fatores – biológicos, psicológicos e ambientais:
- Fatores biológicos:
- Desequilíbrios nos neurotransmissores cerebrais (como serotonina, dopamina e GABA), o que pode aumentar a predisposição à ansiedade patológica;
- Histórico familiar de ansiedade aumenta a vulnerabilidade genética para tal perturbação;
- Fatores psicológicos:
- Experiências de vida, traumas, mudanças e lutos podem originar padrões de preocupação excessiva;
- Pensamentos autocríticos, baixa autoestima, insegurança, desvalorização pessoal e pessimismo promovem o aumento de sentimentos de medo e ansiedade;
- Dificuldade em lidar com emoções, alterações na rotina e no percurso de vida, em diversos contextos, contribuem para a manutenção da ansiedade.
- Fatores ambientais e sociais:
- Pressões externas, como por exemplo, em contexto familiar, escolar/local de emprego, equipa de desporto, etc.;
- Mudanças na rotina, conflitos interpessoais e exposição prolongada as situações de stress aumentam a vulnerabilidade ao aparecimento de sintomas ansiogénicos;
- Comparação constante com os outros, quer seja através de conversas com amigos, familiares, professores, ou até mesmo através das redes sociais, etc.
Como é que a psicologia pode ajudar?
A consulta de psicologia é o local indicado para perceber os fatores que estão por trás da ansiedade e promover a descoberta de estratégias que funcionem para si, independentemente da sua faixa etária. No que refere à ansiedade é importante realizar um trabalho de reestruturação cognitiva, de forma a que o paciente consiga identificar pensamentos negativos e substituí-los por formas mais realistas e adaptativas de interpretar as situações.
Existem diversas abordagens em Psicologia (Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Familiar e Sistémica, Terapia Psicodinâmica), mas todas seguem a premissa do apoio individualizado e idiossincrático, adequado às necessidades e contexto de cada paciente. Em alguns casos pode ser importante complementar a intervenção individual com articulação com outros contextos – familiares, escolares (mais comum nas crianças e adolescentes), etc., e até mesmo sugerir outras terapias complementares.
No fundo, a consulta de Psicologia é um espaço seguro e sem julgamentos, um lugar onde vai aprender a escutar o corpo e acalmar a mente, e ainda, perceber os pensamentos que estão por trás das sensações negativas expressas no corpo. É um lugar para se sentir ouvido e apoiado, nesta nova etapa de redescoberta.
Se sente que a ansiedade está presente na sua vida de forma muito exacerbada, que controla a sua vida, que ocupa demasiado tempo e está cansado deste cenário, entre em contacto comigo!
A terapia é um primeiro passo muito importante e não tem de o dar sozinho! Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é um sinal de autocuidado!
Dra. Sofia Solinho
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